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observatório da universidade ANO VI
Universidade Popular versus Universidade de Pesquisa
sexta-feira, agosto 19 2011 - 12:50

Jogos Ideológicos nas Universidades Federais

Luis Paulo Vieira Braga

A Diretora da Faculdade de Educação da UFRJ, segundo entrevista publicada no jornal da ADUFRJ, afirma que a universidade apostou na democratização a partir da adoção do ENEM como única forma de ingresso na universidade1. Aparentemente a professora sugere que no verso da moeda tem-se a elitização como alternativa. Visão oposta tem um professor do Hospital Universitário que em carta aberta2 distribuída pela internet acusa essa política de banalizar a vocação de excelência da universidade. Parece que finalmente começamos a ter na universidade um debate que não se limita apenas a vagas no estacionamento, assaltos e outras mazelas do cotidiano no campus.

A educadora prossegue na sua defesa da decisão tomada, justificando, em parte, os métodos adotados que atropelaram o Conselho de Ensino de Graduação, colocando nas mãos do CONSUNI a responsabilidade pela mudança3. Nada que surpreenda os observadores mais atentos à dinâmica do CONSUNI, aonde a Reitoria conquistou a maioria dos conselheiros, assegurando sucessivas vitórias em temas polêmicos como REUNI, Plano Diretor e finalmente o vestibular. Algo que passa desapercebido na visão do ilustre pesquisador e que reflete a alienação de boa parte da categoria docente em relação ao preenchimentos de cargos nos diversos conselhos da universidade, que enfim tomam as decisões. A fatura pelo comodismo, pela omissão política acaba de chegar. Não sei se é o caso do ilustre professor, mas para todos aqueles que praticaram o escambo político, trocando seus votos por bônus tais como obras, vagas, facilidades diversas, para esses também a fatura está chegando.

A educadora prefere a quantidade à qualidade, no que diz respeito à seleção, refletindo as metas para o ensino superior dos dirigentes do MEC, que também são militantes políticos com um projeto esquerdista para a educação e para o país. A formação de elites, obviamente necessárias, sempre foi uma fraqueza dos regimes coletivistas, o colapso da produção acadêmica na Venezuela é mais um exemplo recente dessa deficiência. O remédio apresentado pela professora é um esquema que combina assistencialismo com introdução aos estudos superiores. Por outro lado, a visão acadêmica do neurologista é aquela consagrada pelas velhas agências CAPES e CNPq – publicar em periódicos indexados, com altos índices de impacto4 - que reduziu a diversidade do trabalho acadêmico a somente uma variável dominante, relegando a um plano secundário o ensino e a extensão.

Temos, portanto, de um lado uma visão de universidade popular, e de outro o de uma visão de universidade de pesquisa. Atualmente essas duas visões convivem de forma paralela mas se aproxima o momento do ajuste de contas. Os ingredientes adicionais são explosivos: técnicos administrativos em greve há mais de 60 dias; docentes das IFES indicando greve; obras do REUNI atrasadas num contexto de contingenciamento de despesas; levas de novos alunos chegando de todos os quadrantes em todos os horários e uma gestão bizantina para a velocidade dos desafios.

1 “A UFRJ optou por uma aposta na democratização a partir da adoção do ENEM como única forma de ingresso na universidade”

2 carta aberta do Professor Maurice Vincent, do HU da UFRJ

3 “O CONSUNI votou. Os representantes do CONSUNI poderiam ter rejeitado a proposta pelo fato de ela não ter passado no CEG. A maioria aprovou a decisão.”

4 “Pertenço ao corpo editorial de várias revistas científicas. A mais importante delas, onde participo como editor associado, é a Cephalalgia,revista científica com índice de impacto de 4.265 (28º lugar entre 185 revistas de neurologia no mundo, 57º entre 237 de neurociências). Hoje, para dar um exemplo, tenho 3 artigos simultameamente submetidos a ela, que aguardam a decisão dos revisores para eventual publicação. O meu h-index, um índice do Institute of Scientific information (ISI) que mede o impacto pessoal das publicações de um autor em ciência, é 12, nada mau.

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ijlfrs
sábado, dezembro 10 2011 - 12:26
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irbiolmsd
terça-feira, dezembro 06 2011 - 07:46
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Allie
segunda-feira, dezembro 05 2011 - 10:07
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Back in shcool, I'm doing so much learning.
Maurice Vincent
sábado, outubro 08 2011 - 08:36
Publicações
Curioso como trechos da minha carta podem levar a conclusões erradas. Se não, vejamos: "Por outro lado, a visão acadêmica do neurologista é aquela consagrada pelas velhas agências CAPES e CNPq – publicar em periódicos indexados, com altos índices de impacto4 - que reduziu a diversidade do trabalho acadêmico a somente uma variável dominante, relegando a um plano secundário o ensino e a extensão" Não tenho absolutamente esta esta visão. Eu publico e acho importante publicar. Mas além de publicar com alto índice de impacto, meu curso (neurologia), dado por mim e meus colegas da cadeira, é indicado pelos alunos da faculdade de medicina como um dos melhores de todo o curso de medicina. E entre os professores, estou ano após ano entre os melhores da disciplina, apontado por eles mesmos. Isto não sai nos artigos. Considero a atividade de ensino primordial e fundamental para qualquer docente. Contrariante à visão em voga, sou contra a eliminação de professores assistentes e auxiliares de ensino, com admissão exclusiva de adjuntos doutores. Não é só publicar que interessa. é TAMBEM publicar, publicar bem e melhor. Abraços.
Rui Cerqueira
terça-feira, setembro 27 2011 - 10:43
Haverá contradição?
O interessante no debate é que uma contradição é apresentada como se não houvesse síntese possível. É mesmo surpreendente que 211 anos depois de inventada a universidade moderna ainda haja que considere que entupir de gente as salas de aula é "moderno"! Por outro lado, e não é só no Brasil, colegas há que acham que ter muito "trabalho publicado" também é suficiente para termo universidade. Fora palavrório meio vazio ("educação pública, gratuita e de qualidade") que não indicam nada, fora boas intenções, nós não discutimos as questões que no dia a dia nos afetam. Por exemplo, um professor gasta no mínimo 30% de seu tempo em atividades burocráticas, não tem nenhum suporte decente para suas atividades, não tem quase nenhum recurso fora os que consigam de agencias externas. E por aí vai. Acho que além de belas palavras, declarações de intenções, precisaríamos pensar o que não funciona e o que tem dado certo. Discutir, aí sim, a política de graduação e se, de fato, precisamos de novos cursos. Termos uma política de pessoal de suporte adequada as necessidades da universidade. E por aí vai. Os colegiados se reúnem para tão somente apreciar processos administrativos. E discutem problemas e políticas de forma oblíqua ao fazerem estas apreciações. E acabam aprovando ou não o que é levado pelas direções. Por outro lado, em geral, poucos, muito poucos, colegas estão interessados em pensar se podemos fazer diferente. É pena. E frustrante. Pelo menos para quem está tem mais de quarenta anos tentando fazer uma universidade moderna para o país (Moderna de 211 anos!)
Denise Pires de Carvalho
domingo, setembro 18 2011 - 11:00
Parabéns
Ao ler as matérias veiculadas pelo OBSUNI, como esta "Jogos Ideológicos nas Universidades Federais", percebo que ainda pode haver luz no fim do túnel, sem que a mesma esteja vindo na nossa direção. Foi com muita clareza que o Prof Luis Paulo analisou esses dois extremos paralelos da nossa Universidade. No entanto, há como fazer pesquisa, ensino (graduação e pós-graduação) e extensão de forma integrada e com qualidade. Temos que nos unir contra o autoritarismo e a falta de informação sobre o real impacto dessas mudanças sobre a nossa Universidade. Quem avaliará o destino dos egressos, os índices de retenção e evasão? Quais os cursos atingidos pelas mudanças aprovadas pelo CONSUNI de forma autoritária? Quantas vagas ficarão ociosas? E o alojamento? E as bibliotecas funcionando até 22h e com acervo renovado? E os bandejões?
Bruno Malburg
sábado, agosto 20 2011 - 11:53
Parabéns
Parabéns pelo artigo e pelos pontos levantados nele. Boa análise do panorama atual. Só levantando a discussão, com opiniões coerentes e claras que não se atenham a repetir o que os `donos da verdade` propagandeiam, sempre tentando desmoralizar e ridicularizar os que a eles se opõem - tática clássica dos autoritários da linha dos que atualmente ocupam o poder -, se pode chegar ao melhor para a sociedade. Abraços.
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