blog
sobre o blog
links
artigos 2007 a 2010
fotoblog
bud
fale conosco
observatório da universidade ANO VI
Os últimos livros
sábado, agosto 07 2010 - 08:11

Os últimos livros

(O Futuro do Livro segundo a FLIP)

Luis Paulo Vieira Braga

Nada mais relevante para um festival literário do que um debate sobre o livro, na FLIP houve dois, um sobre o passado e outro sobre o presente e o futuro. Ambos contaram com a relevante participação de Robert Darnton, diretor das bibliotecas da Universidade de Harvard, que teve a companhia de John Makinson, CEO da Penguin, no segundo. Mediados pela professora Cristiane Costa (UFRJ) os convidados trouxeram seus pontos de vista, mais acadêmico no caso de Darnton e mais corporativo no de Makinson.

Começando por um chavão - se o livro está morto - a mediadora passou a palavra a Darnton que respondeu parafraseando dois grafites, o primeiro deles afirma que Deus está morto e é assinado por Nietzche, já o seguinte afirma que Nietzche está morto e é assinado por Deus... Embora acredite que o futuro será digital, não vê essa mudança como imediata, mas como uma transição que no momento apresenta crescimento na publicação de livros, cerca de um milhão para 2010, segundo previsões da indústria. Makinson segue uma posição semelhante, rejeitando as comparações com o colapso da indústria da música por um motivo muito simples, nesse caso o consumidor abandonou os produtos tradicionais porque era obrigado a comprar álbuns quando queria trilhas, enquanto que no caso do livro, o leitor sempre procurou a obra e não capítulos, com exceção das obras de referência.

A professora Cristiane pediu então que os debatedores abordassem a crise dos jornais impressos. Makinson ratifica a opinião de que os jornais tradicionais estão sendo abandonados em favor das edições on-line onde os usuários pinçam notícias e informações. Para Darnton algo importante se perde com essa transição – os jornais impressos são como um mapa do passado imediato – favorecendo a leitura lenta e panorâmica ao invés da busca dinâmica e pontual.

Outro ponto levantado pela professora da UFRJ foi o processo que a GOOGLE responde nos EUA relacionado ao seu projeto de digitalizar o maior número possível de livros para em seguida comercializá-los. Darnton embora admire a empresa, que já digitalizou um milhão de livros no domínio público, teme pelo monopólio do acesso ao que define como patrimônio cultural da humanidade. Criador dos projetos Gutenberg e Iluminismo Digital formulou um novo projeto denominado Biblioteca Digital Nacional disponível para usuários em todo o mundo, reunindo os acervos das principais bibliotecas dos EUA. No entanto, para levá-lo adiante depende de recursos, amparo jurídico e entrosamento entre as organizações envolvidas.

Além da questão do acesso às obras, os convidados foram solicitados a comentar sobre a preservação das bibliotecas digitais, dependentes de tecnologia sujeita a obsolescência em prazos cada vez mais curtos. Darnton falando de sua experiência em Harvard expôs o peso que os novos investimentos em tecnologia estão tendo nos orçamentos das bibliotecas, que devem ainda manter a compra de livros tradicionais, muito mais robustos e resistentes do que seus congêneres digitais. Makinson foi mais otimista, comentando que a indústria vem buscando soluções tecnológicas mais perenes e compatíveis.

O último tópico referiu-se ao papel dos players nesse processo – editoras, agentes literários, bibliotecas, livreiros, etc. Para o CEO da Penguim novas oportunidades se abrem com a tecnologia, como, por exemplo, o modelo de subscrição da Taschen no qual o leitor ao invés de comprar os livros separadamente, adquire uma licença de acesso a qualquer obra. Entretanto, não acredita na sua aplicação a qualquer gênero de livro. Outra linha de inovação é a incorporação ao livro dos recursos de áudio, vídeo e interatividade. Makinson que é também proprietário de uma livraria, não prevê dias fáceis para as livrarias reais que precisarão diversificar e inovar para sobreviver. Darnton, por seu lado, destaca o papel que as bibliotecas vêm tendo nos EUA como local de leitura, de socialização e de acesso ao mundo digital para um público com menor poder aquisitivo ou com barreiras para acesso à informação. Segundo ele as bibliotecas não são meros depósitos de livros, mas locais de orientação para as pessoas na busca do conhecimento.

<< Navegar para sábado, 7 de agosto de 2010 Adicionar Novo Comentário
Jorge de Oliveira Borges
sábado, agosto 07 2010 - 05:23
dinheiro.
Quais são as opções? Quanto custa cada uma? Quais as vantagens e desvantagens para o leitor? Agradeço a gentileza de enviar-me uma mensagem pelo correio eletrônico, confirmando o recebimento desta correspondência. Grato. Com especial cortesia, JOB correio eletrônico: jorge.de.oliveira.borges@gmail.com diário: http://jorge-de-oliveira-borges.blogspot.com Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna. João 6, 68. http://www.evangelhoquotidiano.org Totus tuus iesus. Um dos escravo de Jesus em Maria, graças a bondade do SENHOR. Ave Rex, Ave Marie. A. M. D. G.
Maria A Silva - Letras UFRJ
sábado, agosto 07 2010 - 02:21
Uma questão de presença física
Numa das últimas aulas do período passado, um de meus alunos me indagou exatamente sobre o futuro do livro impresso, tendo em vista o sucesso de aparatos como o Kindle, que a Amazon.com (site no qual compro livros há pelo menos uma década) já me ofereceu em promoção diversas vezes. Respondi como Rushdie, mas pensando que não é preciso um copo de refrigerante para destruir um aparelho como o computador, porque ele proprio, e os programas instalados, se destróem sozinhos. Há muitos anos, antes de o Kindle ser apenas um projeto, baixei do site de La Nación um programa para leitura de obras no computador, sendo a primeira delas o recém lançado livro La Resistencia, de Ernesto Sábato. Não demorou muito para que o programa deixasse de funcionar, impedindo-me de avançar com a leitura. Comprei o livro, claro, e naquele momento percebi que jamais trocaria a presença física dos livros por essa fantasmagoria eletrônica. Adoro computadores, não me imagino mais trabalhando sem eles, mas não há comparação. Até porque, enquanto profissional das Letras, minha leitura nunca foi por entretenimento apenas. Preciso assinalar passagens, anotar observações, indicar analogias e referencias intra e extra-texto. Sem falar nos muitos livros usados que até hoje adquiro no exterior, alguns que sobreviveram a guerras e trazem marcas dessa luta pela permanencia, publicações valiosas para mim, apesar do preço por vezes irrisorio. Ter essas obras únicas em minhas mãos, poder ter acesso às ideias desses autores do passado, que agora se refletem e se complementam em meu proprio pensamento, me proporciona uma alegria inenarrável. Não é á toa que minha biblioteca pessoal está girando em torno de 2000 livros, num esforço tremendo para aproveitar todo espaço disponível que me permita abrigar os que continuam chegando e ainda cehgarão até o final de minha vida.
Luis Paulo
sábado, agosto 07 2010 - 08:19
O fim do livro
Embora não fosse o foce de sua intervenção, Salman Rushdie respondeu de forma divertida à pergunta sobre o fim do livro. Comparando com um computador, demonstrou a sua fragilidade em comparação com o livro: - Para destruir um computador basta um copo de refrigerante, enquanto que o livro, mesmo um pouco enrrugado, continua disponível para leitura.
3 registros total(ais)        
Adicionar Novo Comentário
Seu nome  
Assunto  
Conteúdo:  

10001000101010101100110011001100110011001010000011000000111111111010000011000000111100001010000010100000100010001000100010101010
blogsobre o bloglinksartigos 2007 a 2010fotoblogbudfale conosco