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observatório da universidade ANO VI
Quantos anos são muitos anos?
domingo, julho 11 2010 - 11:03

Quantos anos são muitos anos?

Luis Paulo Vieira Braga

Um jornal de grande circulação no Rio de Janeiro publicou reportagem de página inteira sobre as precárias condições da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ex-Universidade do Brasil. A reportagem não mente quando relaciona os problemas do Alojamento Universitário, do Hospital Clementino Fraga Filho, da falta de segurança, da expansão irracional do programa REUNI e até mesmo das limitações orçamentárias da Educação no Brasil. No entanto, não aprofunda as causas das enormes discrepâncias da jóia da coroa das universidades estatais brasileiras. Para um de seus dirigentes os problemas que a universidade enfrenta são devidos aos anos de abandono da infra-estrutura. Considerando que atual reitoria cumpre seu segundo mandato, paira a indagação - Quantos anos são muitos anos?

Um visitante que percorra os diferentes campi da UFRJ (Praia Vermelha, Fundão, Macaé,  entre outros), ou suas unidades isoladas ativas, inativas ou parcialmente ativas vai se deparar com realidades contrastantes. Das ruínas do Hospital São Francisco aos prédios novos da COPPE. Das salas novas em Macaé ao subsolo insalubre do CCS. Da transparência das reuniões do CONSUNI à confidencialidade de suas inúmeras Fundações (FUJB, COPPETEC, ENGETEC, BIORIO, CCMN, entre outras). Do futurismo de seu plano diretor à realidade da expansão geométrica das instalações da Petrobrás no Fundão. A conclusão imediata que o nosso virtual visitante alcançaria é uma só – A UFRJ está no Brasil, naquilo que ele tem de pior, e de melhor, não necessariamente em iguais ou favoráveis proporções...

De uma maneira geral, as universidades federais usufruem muito pouca autonomia. Todas as fatias de reforma universitária contempladas nos últimos anos (Quantos?) se originaram no executivo: PROUNI, REUNI, Nova Carreira, BI, NOVO ENEM, etc. A única tarefa que coube aos dirigentes foi a de empurrar goela abaixo da comunidade universitária a adesão aos éditos ministeriais, fossem eles oriundos do MEC ou do MCT. Entretanto, a verticalização não se propaga para o interior da organização. O reitor da UFRJ, e acredito na maioria das universidades federais, é pouco mais do que um síndico. As agências de fomento e as fundações exercem um enorme poder de intervenção, porque controlam verbas extra-orçamentárias vultosas e fluidas, promovendo planos paralelos de cargos e salários e outras prioridades na infra-estrutura. Somente quando se tem consciência desse fato é que se pode compreender a dinâmica heterodoxa da UFRJ que combina pacientes abandonando seus leitos às pressas no Hospital Universitário com desfiles em bicicletas alugadas pelo campus do Fundão.

É isso que falta dizer na reportagem divulgada na edição de Domingo do grande jornal. Por um lado, estabelecer a autonomia das universidades estatais para que sejam universidades públicas, e por outro instaurar a autoridade internamente. Somente assim será possível planejar e sustentar o seu crescimento de forma harmoniosa e justa.

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Leandro Nogueira
domingo, julho 11 2010 - 10:22
Autonomia Perdida
Embora o texto constitucional consagre a autonomia das universidades públicas, na realidade ético-política do país, prevalece a heteronomia acadêmica ditada pelos diferentes governos que ocupam o Estado brasileiro. O texto é preciso nesse sentido e esclarece como o desrespeito ao princípio da autonomia universitária, colabora para que as universidades públicas sejam repetidoras dos graves contrastes existentes na sociedade brasileira, ao invés de se destacarem como instâncias produtora das concepções que efetivamente premeditem a superação de nossas históricas desigualdades. Nesse sentiido, os gestores universitários estão sim, mais para síndicos do que acadêmicos conscientes de seu significativo papel político, enquanto as instituições de ensino superior público vão acumulando, especialmente a UFRJ, exemplos claros e lamentáveis de dissonÂncia acadêmica, institucional e principalmente educacional.
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