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segunda-feira, maio 31 2010 - 12:18
A Fadiga de um Modelo
Luis Paulo Vieira Braga
No dia 27 de maio, o professor Cabral Lima (UFRJ) apresentou uma palestra na internet sobre o processo de avaliação dos cursos de pós-graduação pela CAPES. Foi mais uma manifestação dentre muitas outras nos últimos anos apontando as limitações do modelo atual adotado pela CAPES. As críticas à quase exclusividade do item publicações em periódicos como determinante para a qualificação dos programas de pós-graduação, se expandem cada vez mais. As restrições aos indicadores tais como índice de impacto, número de citações e índice H se generalizam a nível mundial, mostrando as distorções que podem provocar. Tudo isso vem sendo objeto de artigos, manifestos na imprensa especializada ou não, na internet, em reuniões públicas, etc. No entanto, ainda carece uma avaliação do impacto que essa política está tendo sobre o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
É inegável, como afirma o próprio prof. Cabral Lima em sua preleção, o crescimento da pós-graduação no Brasil que hoje forma mais de 10.000 doutores por ano. No entanto, o crescimento em quantidade não está sendo correspondido em qualidade. No artigo A Universidade Brasileira: fatos e desafios (II) mostramos como a ciência brasileira ainda está aquém do que se faz nos países desenvolvidos. E mais adiante no artigo A Universidade Brasileira: fatos e desafios (III) relatamos o baixo impacto sobre o desenvolvimento tecnológico nacional das atividades acadêmicas. Tampouco a pós-graduação tem contribuído significativamente para a melhoria de nossos cursos de graduação, assolados por duas pragas crescentes – evasão e retenção. Na verdade os programas de pós-graduação se isolam da realidade mais pobre e dura das universidades, refugiando-se em projetos de caráter internacional. Mas isso não é uma mera coincidência, mas resultado de uma política estabelecida ainda no governo FHC e mantida nos dois termos do governo Lula. Na ocasião, decidiu-se mudar a orientação – formação de professores universitários e desenvolvimento de tecnologia nacional – para – formação de pesquisadores em temas de relevância internacional – Tudo o que se seguiu foi para dar sustentação ao novo binômio.
Apesar dos repetidos protestos, nada indica que a elite científica do país vá mudar a orientação da CAPES, a menos que um dos seus príncipes se indisponha com seus pares e lidere uma rebelião contra o esquema constituído. Enquanto isso as contradições do sistema aumentam a cada dia: a) falta de uma agência reguladora do ensino superior desvinculada do fomento; b) hiato entre sistema produtivo e sistema acadêmico; c) primo pobre da graduação versus primo rico da pós-graduação; d) crescente desequilíbrio regional das verbas para pós e pesquisa.
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