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observatório da universidade ANO VI
36.000 professores
sexta-feira, maio 21 2010 - 12:29

36.000 professores serão excluídos do ensino superior, a não ser que...

Luis Paulo Vieira Braga

O MEC cogita exigir que os docentes das Instituições de Ensino Superior tenham, no mínimo, especialização. A não observância da exigência acarretará em baixas avaliações nesse item para as IES que o descumprirem. Para os academicistas parece uma exigência natural, afinal os concursos que têm sido abertos nas universidades públicas têm exigido o doutorado. No entanto, o Brasil real não é o país dos academicistas. Segundo dados de 2008, do INEP, existiam 36.012 docentes com titulação de graduação atuando no ensino superior, dos quais 39% nas instituições públicas e 61% nas instituições privadas. Se alguém especula que a incidência dessa categoria se dá nas unidades isoladas, vai se surpreender ao constatar que 57% desses docentes estão nas universidades. Tampouco é uma característica das regiões mais pobres, a região sudeste concentra 17.713 desses docentes, 49% do total...

Alguns motivos para a contratação de professores com titulação de gradução são: a) falta de recursos humanos; b) economia na despesa com salários (privadas) e c) profissionais renomados que desejam desenvolver atividade docente. Melhor qualificação para o corpo docente é, sem dúvida nenhuma, uma das condições para a melhoria da qualidade do ensino de graduação. Mas, dado o tamanho do problema, deve-se pensar uma estratégia para a) e b), e uma solução institucional para c). Há muitos anos um programa de capacitação docente da CAPES semeou muitos Mestres, Brasil afora, ajudando a criar ou expandir os cursos de pós-graduação, chamava-se PICD. Talvez seja o caso de se lançar um PICD II.

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G.G.Bastos
sexta-feira, maio 21 2010 - 09:52
Professor de Universidade
É evidente, sob qualquer ângulo de visão, que um professor universitário não pode ser somente um "dador" de aula; que precisa necessariamnete ter uma visão prospectiva da matéria que leciona. Um professor em qualquer nível, a partir do ensino fundamental, não deve se transformar em um burocrata do ensino. O verdadeiro professor deve encontrar tempo para estudar em sinergia permanente com a sala de aula. Mas, na prática, ao professor não é dada a oportunidade de exercer esse múnus do estudo. Por outro lado, cadê a valorização da profissão? Aliás, os mestres são constantemente obrigados a certo exercício de bom humor e de falta de amor próprio, por exemplo, ao ver estampados em adesivos frases como esta: "Hei de vencer... mesmo sendo professor." Ou aquela outra: "O professor faz que ensina e o aluno finge que aprende; esse é o pacto da incompetência." Ou outra: "Engenheiro que não sabe nada, se torna professor..." e muitas outras mais. Nas universidades vale o dístico "publicar ou morrer". Penso que melhor do exigir-se papéis de publicações, os chamados "papers", seria estimular-se a realização de seminários interdisciplinares em que se trataria, além da discussão de trabalhos de pesquisa, da interface entre a produção científica pura e as várias matérias curriculares, pois um professor universitário NÃO É SOMENTE uma máquina de fazer artigo; ele é, precipuamnete, o provedor de cultura para a geração seguinte. A propósito, o professor doutor que vive viajando, muitas vezes, relega a segundo plano sua intransferível responsabilidade para com seus alunos. Por fim, parece-me que aqui, sim, cabe o dístico marxista-leninista com vistas às lideranças e financiadores: "a cada uma segundo suas necessidades, e de cada um segundo sua capacidade".
Armando G. M. Neves
sexta-feira, maio 21 2010 - 09:11
36000 professores excluídos
Concordo que um professor que tenha "só" graduação, mas com muitos anos de experiência, seja ela profissional, ou em sala de aula, pode ser um excelente professor e não deve ser excluído. Mas o mesmo não se aplica HOJE a um jovem só com graduação, aspirante a professor do ensino superior. Para este, em minha opinião, o pré-requisito mínimo é o mestrado. Atenção: isto pode depender da área e áreas diversas da minha podem ter opiniões diversas.
Clóvis
sexta-feira, maio 21 2010 - 08:24
36.000 professores serão excluídos ...
Este é o Brasil "faz de conta". Há muito que a legislação pertinente exige a qualificação docente para atuar no ensino superior. Aliás, o INEP, órgão responsável legalmente pela avaliação de cursos e de instuições de ensino superior, há algum tempo informou, a pedido nosso, que a qualificação mínima exigida para atuar no ensino superior é o grau de mestre. Daí advindo a tal de "aderência", segundo o INEP. Será que jogaram a legislação na lata de lixo? Muitas IFES deveriam discutir e aprovar em seus respectivos departamentos planos de capacitação docente para qualificar seus quadros, mas muitas não o fazem. Daí a existência de docentes com tituação máxima de graduação o que gera uma excrescência. E la nave va. Com respeito às instituições de ensino superior privadas, o que se passe é que o docente é horista. Os valores pagos aos docentes por hora/aula variam de acordo com a titulação dos mesmos. Obviamente que o valor da aula pago ao docente apenas graduado é o menor possível e, na lógica ( será a lógica paraconsistente?) dos proprietários das mantendoras dessas instituições a aula é a mesma, inclusive na qualidade, tanto faz doutor, mestre ou graduado. Logo, para pagar menos e ter maior lucro, fica-se com o docente apenas graduado. E onde fica a avaliação do INEP? Creio ser para "inglês ver". Esse problema não é novo. É altíssimo para a nação o preço da ignorância de seus filhos. E la nave va. Nesse contexto emerge o documento sobre a reforma do SNE que está no OBSUNI à disposição da comunidade acadêmica nacional. Devemos salvar o SNE.
Luiz Eduardo R. de Carvalho
sexta-feira, maio 21 2010 - 07:45
Professores sem Pos-Grad
No dia em que a situação reverter, vamos ter de, pelo menos, impor um percentual mínimo para professores sem doutorado, de forma a assegurar a presença de professores-engenheiros, professores-arquitetos, professores-médicos, professores-advogados... que ensinem graduados a exercer a profissão na qual se graduam. E, por outra mão, assegurar que a GRADUAÇÃO seja suficiente e bastante para que todos os graduandos estejam qualificados para atuar como médicos, advogados, engenheiros, dentistas, arquitetos. Ou, pelo jeito que vão as coisas, a Graduação vai virar um NADA. E de nada vai valer todo esse conflito por COTAS... para depois de muito sacrifício... os pobres e negros serem diplomados em NADA. Tudo isso, na verdade, tem cheiro de reserva de mercado e venda casada. São os academicistas querendo impor mercado artificial para os pos-graduandos que formam, depois de desprezar e abandonar a Graduação...
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