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sexta-feira, maio 14 2010 - 09:47
“Esquerdos Humanos”
O argumento definitivo
Luis Paulo Vieira Braga
“Eu chego na sala de aula da Economia e só tem jovens louros e bonitos, mas isso não é a sociedade brasileira.” Reitor da UFRJ ao Jornal O Globo on line em 4 de maio de 2010.
O comentário com conotações preconceituosas da autoridade máxima da UFRJ não chega a ser inédito. Frases com o mesmo sentido já foram lidas ou ouvidas aqui e acolá. É o ressentimento e o revanchismo alimentando a ideologia dos “esquerdos humanos”. A apatia com que o campus recebe essa e outras declarações reflete a indiferença da maioria dos seus membros. Isso também não é inédito, pois a UFRJ assim como outras universidades brasileiras convivem com altas taxas de evasão e retenção, sem que isso pareça incomodar ninguém, exceto os milhares de jovens frustrados que perambulam pelos corredores universitários até alcançarem a porta de saída. O tema já foi objeto de um texto anterior, cuja tese é de que a política de cotas (seja ela qual for) tem tripla serventia: a) proselitismo; b) legitimação do status quo do ensino básico público e c) legitimação do status quo do ensino de graduação.
Entretanto, não esperava que um colega me convencesse de forma tão contundente do meu ponto de vista. Ao comentar com ele sobre as dificuldades que o aumento de vagas já vem trazendo à UFRJ, e sobre sua intensificação com a adoção de políticas de cotas, a resposta veio na ponta da língua: “Esse pessoal vai ser eliminado nas disciplinas básicas, não chegarão a ocupar as vagas”. E acrescentou “A situação do ensino básico é problema para vinte anos ou mais. Não vale a pena polemizar”. A tese desse docente é absolutamente funcional ao estado perverso da educação no Brasil. O ensino básico público é fraco então se facilite o acesso à universidade. Os calouros são reprovados, ora, mas sempre foram... É a indiferença pelo destino de jovens esperançosos e iludidos pelas promessas de uma vida universitária a principal razão pela qual se deve rejeitar uma política de cotas. A verdadeira política afirmativa começa pela priorização do ensino básico público e pelo aperfeiçoamento do ensino de graduação, seja ele privado ou público. Se forem necessários 20 anos, além dos 8 de social-democracia, mais 8 de trabalhismo, que sejam sacramentados como obrigação de estado e não palanque de governo.
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