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observatório da universidade ANO VI
Livros fora!
quinta-feira, abril 22 2010 - 12:25

Livros fora !

Luis Paulo Vieira Braga

No documento da área de avaliação Matemática, Probabilidade e Estatística da CAPES a coordenação deixa bem claro que livros estão fora: “A Matemática, Probabilidade e Estatística não utiliza Qualis de livros, por não ser este um veículo prioritário para a produção da Área.” Como se sabe a avaliação é feita exclusivamente sobre artigos publicados em periódicos de uma lista denominada Qualis na qual se ordenam as revistas científicas por categorias de importância. Mas não é sobre o Qualis de revistas que desejo refletir, e sim sobre a exclusão da produção intelectual sob a forma de livros da avaliação dos cursos de pós-graduação e suas conseqüências. Vou focalizar especialmente a área de estatística sobre a qual disponho de mais informações.

O cotidiano de um professor pesquisador ou de um pesquisador em dedicação exclusiva no Brasil não se parece em nada com o paraíso descrito no prólogo do livro de Lindley de 2006 – Entendendo a Incerteza – publicado pela Wiley: Não me lembro de ter me perguntado, ou de ter sido perguntado por outrem, se o que fazia como pesquisador era justificável. A sociedade me paga um salário que me permite ter uma vida confortável para mim e minha família, proporcionando-me tempo suficiente para pensar e escrever, sendo apreciado pelas poucas pessoas que se deram ao trabalho de ler minhas conclusões. Tempo e dinheiro são exatamente os elementos que mais faltam a quase todos aqueles que se dedicam á carreira acadêmica no Brasil. Digo quase todos, porque obviamente estou excluindo os carreiristas e os oportunistas que infelizmente existem em todas as profissões. As exigências para um pesquisador se manter nas folhas de pagamento dos órgãos financiadores são cada vez mais árduas, principalmente para jovens pesquisadores fora das principais cidades do país. O foco na publicação em revistas de alta qualidade de circulação internacional é em parte justificável, mas do modo como está sendo feita, está tornando a existência de periódicos nacionais muito difícil. Alguns deixam de existir, outros se associam a entidades internacionais para sobreviver. Nada contra a cooperação internacional no domínio da ciência ou da cultura, ela é particularmente preciosa em momentos de autoritarismo de direita ou de esquerda. Falo ainda (pela última vez) dos periódicos, apesar da promessa inicial, para realçar que o mesmo efeito está se dando no caso dos livros.

Percorrendo o programa de disciplinas de alguns bacharelados em estatística nota-se que à medida que se avança no programa do curso, autores nacionais cedem lugar aos estrangeiros. No caso da estatística, publicações de minicursos no SINAPE e no Colóquio não se tornaram livros no sentido estrito - baixa tiragem, não têm isbn, raramente são reeditados. A iniciativa da Associação Brasileira de Estatística (ABE) com o Projeto Fisher em 2004 foi de exatamente suprir essa deficiência. Entretanto, desde então só se publicaram três livros. Não acredito que isso esteja ocorrendo por causa da globalização. Há mercado para livros texto em português e há os recursos humanos e materiais para produzi-los. No entanto, à medida que o tempo é escasso e livros estão fora da carreira acadêmica segundo a CAPES, por quê escrevê-los? Ora exatamente os profissionais que estão em contacto com a fronteira da pesquisa, são os mais indicadas para produzirem livros para as disciplinas mais avançadas nos bacharelados. Mas se o fizerem, correm o risco de não produzir artigos, esses sim que contam para a carreira.

Evidentemente a introdução do item livros deve ser cercada de cuidados, exigir conselho editorial de qualidade, editora de âmbito nacional, e outros critérios que salvaguardariam a seriedade da produção. Renato Janine Ribeiro, ex-diretor de avaliação da CAPES, chegou a manifestar a necessidade de estruturar um Qualis livro, mas, pelo menos na Área de Matemática e Estatística a idéia não prosperou. Enquanto isso não ocorrer os livros estão fora!

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luis paulo
sexta-feira, abril 23 2010 - 08:14
recebido por e-mail
link correto: http://docs.google.com/fileview?id=0Bx2jXrp-iv1FZjU0NDczM2MtYmI1MC00MmU2LTg1MDEtMjZlZWQwMDc1MDI0&hl=pt_BR
luis paulo
sexta-feira, abril 23 2010 - 08:03
recebido por e-mail
No link o qualis livros da area de educação: http://docs.google.com/fileview?id=0Bx2jXrp-iv1FM2VhOGQ3NWEtMjMxMC00MWVlLWI4ZmEtMzdlODc5NzEzOGE5&hl=pt_BR enviado por Maria Cecilia Fantinato
luis paulo
sexta-feira, abril 23 2010 - 03:16
recebidopor e-mail
Mesmo que os livros estejam dentro, o foco são livros relatando pesquisa ou resultados novos. Dificilmente um livro didático será incluído no Qualis, o que é um GRANDE ERRO! Geraldo Xexeo
luis paulo
sexta-feira, abril 23 2010 - 02:05
recebido por e-mail
Aproveito para dar um depoimento de alguém que atua na área de Educação. Nossa área batalhou arduamente para que os livros passassem a ser avaliados e considerados em nossa produção acadêmica, além dos artigos científicos. Uma comissão se juntou e criou parâmetros para um Qualis livros. Cada Programa de Pós-Graduação em Educação em educação acabou de enviar os livros produzidos por seus docentes para serem avaliados. A batalha ainda não está ganha, mas as pressões da área surtiram algum efeito. Abarços a todos, Maria Cecilia Fantinato
Maria A. Silva - Letras UFRJ
quinta-feira, abril 22 2010 - 08:56
Outra informação a respeito
Pelo que me lembro, há um ano e meio, mais ou menos, um dos assuntos de pauta do PPG Neolatinas foi justamente o anuncio, feito pela CAPES, de que as publicações de livros passariam a ter destaque entre os itens de produção intelectual mais pontuados na avaliação periódica dos programas de Pós. Naquela ocasião eu já havia solicitado minha desvinculação do programa, mas continuava recebendo os informes da coordenadora na época. Portanto não posso afirmar nada sobre o rumo desta proposta, pelo menos em minha área de atuação, a não ser que ela existiu recentemente. Quanto à criação de um Qualis para livros, parece-me tarefa complexa, sujeita aos mesmos equívocos do Qualis atual.
Ismael da Silva Soares
quinta-feira, abril 22 2010 - 11:16
Qualis Livro
Prezado Luis Paulo, como sempre, seus artigos e comentários são excelentes. Estou lendo seu livro Introdução à Mineração de Dados, 2a. edição - excelente. Não considerar livros em avaliação docente, é o mesmo que há algum tempo, parece que agora melhorou, "papers" valiam muito mais que patentes, e as empresas no exterior aguardavam com ansiedade os "papers" dos professores brasileiros para transformá-los em patentes com as devidas alterações. Lembro ainda que orientação acadêmica dos alunos de graduação também pouco ou nada valem, e muitos professores não gostam dessa tarefa. Falei e repeti no CEG (2000-2006, quando estive conselheiro) o acima mencionado, mas nunca teve repercussão. Com referência às patentes houve algum avanço no sentido de valorizá-las. São as inversões de valores que existem no Brasil.
Wilson José Vieira
quinta-feira, abril 22 2010 - 10:42
Livros
Nosso problema é que pessoas competentes em suas áreas de C&T se acham automaticamente competentes para fazer gestão de conhecimento, políticas de C&T, etc. Sendo que isso deveria ser responsabilidade de pessoas competentes em gestão do conhecimento, políticas de C&T, etc. Acho que CAPES e CNPq são capazes de fazer muita coisa boa, mas deveriam fazer valer suas competências contra essas idéias malucas de uma oligarquia que se formou publicando baciadas, balaiadas, de "papers", que, na grande maioria, adicionam muito pouco à C&T.
Clóvis Pereira da Silva
quinta-feira, abril 22 2010 - 08:12
Livros
Considero uma insensatez a não existência de um Qualis para livros na grande área Ciências Matemáticas e Naturais. Renato Janine Ribeiro, ex-diretor de avaliação da CAPES estava correto, mas foi chutado do contexto. Sua saída da direção da área de avaliação da CAPES teria sido também por esse motivo?
Luiz Eduardo R. de Carvalho
quinta-feira, abril 22 2010 - 03:39
Livros
Considerando que na área tecnológica é a mesma coisa... não é difícil concluir que se desestimula a produção daquilo onde a comunidade técnico-científica nacional poderia dar sua mais consistente e específica contribuição.
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