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sexta-feira, abril 09 2010 - 08:55
O elefante branco do sertão...
Luis Paulo Vieira Braga
É tão provável um elefante sobreviver no sertão, quanto o município de Cruz das Almas estar situado no próprio. A polêmica é menos sobre geografia ou zoologia do que sobre as recém criadas universidades federais, entre elas a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), caracterizada pela reportagem da Veja, segundo os dirigentes da UFRB, como um elefante branco do sertão.
Os planos para a criação de uma universidade na região do recôncavo são antigos, e a atividade de ensino superior na região já existe desde 1943, com o curso de agronomia na cidade de Cruz das Almas. Esse curso ficou sob a responsabilidade da UFBA até 2003, quando então foi transferido para o núcleo embrionário da UFRB, cujo projeto de universidade foi aprovado em 29 de junho de 2005, nesse ano foram criados os cursos de Eng. Florestal, Pesca e Zootecnia.
O projeto é ambicioso pois pretende instalar cursos universitários em quatro municípios (inicialmente):Cruz das Almas, Amargosa, Cachoeira e Santo Antônio de Jesus. Em Cruz das Almas e Cachoeira existem também instituições particulares de ensino. No caso de Cruz das Almas a Faculdade Maria Milza tem cursos de Biomedicina, Educação Física, Enfermagem e Farmácia. No ENADE de 2007 o curso de enfermagem ficou com conceito 3, os demais ainda não têm conceito. Mas o que surpreende é o conceito 2 no ENADE do curso de Agronomia da UFRB, afinal existe há mais de cinquenta anos... Em Cachoeira existe também uma faculdade particular - Faculdade Adventista de Fisioterapia, com conceito 3 no ENADE de 2007.
O futuro dirá se a UFRB vai conseguir implantar os cursos de biologia, medicina veterinária, zootecnica, tecnologia em agroecologia, tecnologia em gestão de cooperativas, licenciatura em educação física, licenciatura em filosofia, licenciatura em física, licenciatura em matemática, licenciatura em pedagogia, licenciatura em química, artes, ciências sociais, cinema e audiovisual, gestão pública, jornalismo, história, museologia, serviço social, bacharelado interdisciplinar em ciências exatas e tecnológicas, engenharia sanitária e ambiental, bacharelado interdisciplinar em saúde, enfermagem, nutrição e psicologia.
Em tempo, na sua habitual ambigüidade o governo apresenta-se como defensor do ensino público e gratuito, no entanto a gestão Lula-Haddad autorizou em seis anos, de 2003 a 2008, 574 novas instituições privadas de ensino superior. Portanto, certamente o atual governo vai igualar o anterior em termos de expansão do ensino privado, questão que precisa ser tratada com seriedade e não como palavra de ordem de professor militante, desqualificando tudo o que se faz naquele setor.
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