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quarta-feira, março 03 2010 - 07:05
A Universidade Brasileira: fatos e desafios (II)
A universidade e a ciência
Luis Paulo Vieira Braga
A segunda parte do texto é dedicada à produção científica. Ao final da série será organizado um debate, no dia 25 de Março, às 21 horas, com participação aberta ao público.
Segundo dados das tabelas analíticas do GEOCAPES em 2008 existiam 2.568 cursos de pós-graduação no país, incluindo-se nesse número cursos de Mestrado, Mestrado Profissional e Doutorado. As universidades públicas (federais, estaduais e municipais) sediam 77% dos programas, as privadas(particulares,confessionais,comunitárias e filantrópicas) 16% e as instuições não universitárias públicas ou privadas 7%. Nessas últimas estão incluídas organizações dedicadas exclusivamente à pesquisa, assim como faculdades que têm essas atividades. O crescimento no período 2002-2008 foi de 52%, mas enquanto o número de cursos nas universidades públicas cresceu 43%, nas universidades privadas o crescimento foi de 85%. Mais de 90% da força de trabalho em ciência está nas universidades, consagrando-a como o ambiente preferencial para o desenvolvimento de pesquisa. O “proletariado” da atividade científica é o corpo discente de pós-graduação. Em vista da análise que vai ser feita em seguida, vamos considerar apenas os cursos de doutorado porque supostamente são os que geram a maior parte dos artigos em periódicos indexados. Somente a título de informação, em 2008 foram defendidas 1589 teses de Mestrado Profissional, 30787 de Mestrado e 10043 de Doutorado. Um crescimento em relação a 2002 de 132%, 40% e 54% respectivamente. Detalhando-se a evolução das teses de doutorado de 2002 a 2008, assim como o número de bolsistas(no país) nessa categoria, da CAPES e do CNPq, obtém-se a seguinte tabela com base nos dados analíticos do GEOCAPES e da Plataforma LATTES do CNPq.
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Ano |
Número de teses |
Bolsistas de Doutorado(CAPES) |
Bolsistas de Doutorado(CNPq) |
Total de Bolsistas |
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2008 |
10043 |
16280 |
11659 |
27939 |
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2007 |
9327 |
12967 |
10638 |
23605 |
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2006 |
8817 |
13010 |
10246 |
23256 |
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2005 |
8534 |
11156 |
9600 |
20756 |
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2004 |
7642 |
11331 |
8650 |
19981 |
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2003 |
7665 |
11385 |
8501 |
19886 |
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2002 |
6536 |
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Como não dispomos do número de novos alunos por ano, assim como do total de matriculados, não podemos calcular uma taxa de evasão, mas observando a relação número de bolsistas por teses defendidas a média é 2,6 com desvio padrão igual a 0,1. Espera-se que essa produção de teses impacte a publicação de artigos científicos.
De acordo com os dados do SCImago Journal & Country Rank (SJR) de 2001 a 2008 o Brasil tem ficado entre a 14ª e a 19ª posição no rank de países com maior produção de artigos científicos, atrás de países do BRICS (Índia, China e Rússia) e do Conselho Permanente de Segurança da ONU (EUA, China, Federação Russa, França e Inglaterra) ao qual deseja pertencer, mas também de países como Alemanha, Itália e Japão (nações derrotadas na Segunda Guerra Mundial), Espanha, Austrália, Coréia do Sul e Holanda. No rank de qualidade (medido em termos de volume de citações) dos artigos produzidos, em 2008 ficou na 18ª posição, atrás de países como a Suíça, Bélgica e Dinamarca. Outro índice de qualidade é o índice H(número de artigos com citações iguais ou maiores do que esse número) que em 2008 colocou o Brasil em 22º lugar, atrás agora de Israel, Finlândia e Noruega. Acrescente-se ainda que nenhum brasileiro ganhou o prêmio Nobel (Física, Química, Economia, Literatura, Paz e Medicina) ou a medalha Fields (Matemática).
Portanto há um descompasso entre a importância econômica, social e cultural do Brasil e as suas efetivas realizações no campo da pesquisa. O que implica na necessária reflexão de como organizar melhor a produção científica brasileira dentro das universidades para alçá-la a níveis compatíveis com os demais países desenvolvidos.
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