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quinta-feira, fevereiro 25 2010 - 09:43
A Universidade Brasileira: fatos e desafios (I)
O aumento da taxa de evasão
Luis Paulo Vieira Braga
O presente texto, que será apresentado em três partes, dedica-se a abordar o tema da universidade brasileira pelo viés de seus índices maiores na tríade ensino, pesquisa e extensão - indissociáveis, de acordo com a Constituição Brasileira. Por esse motivo não serão considerados os dados dos Centros Universitários e Faculdades Isoladas. Considera-se para o cômputo das universidades públicas os estabelecimentos federais, estaduais e municipais. Para as privadas, incluem-se as particulares (lucrativas) e as confessionais, comunitárias e filantrópicas. Somente estão sendo considerados os dados do ensino presencial. Ao final da série será organizado um debate, no dia 25 de Março, às 21 horas, com participação aberta ao público.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) de 2008 existem no Brasil 183 universidades, das quais 97 são públicas e 86 privadas. Temos ainda 124 centros universitários (quase todos privados) e 1911 Faculdades (também quase todas privadas). Nesse ano ingressaram nas universidades 910.537 estudantes, dos quais 67% nas universidades privadas e 33% nas públicas. O índice maior que se pode utilizar para avaliar uma universidade é a sua taxa de evasão, quanto menor, mais diplomados estão sendo colocados à disposição da sociedade. Obviamente não é o único, o tema da avaliação do ensino superior é complexo, tanto na teoria como na prática. Porém é uma taxa importante para a sinalização de que algo possa estar indo mal, sem que seja garantia de que tudo está bem, quando ela for baixa. Internacionalmente, a taxa de evasão é calculada como o complemento em relação a 1, da razão entre o número de concluintes no ano n e o número de ingressantes no ano n-3. Multiplicando-se por 100% obtém-se o resultado em porcentuais, Assim se em 1900 ingressaram 1000 alunos, e em 1903 concluíram os cursos 400 alunos. A taxa de evasão terá sido de 60%.
A tabela abaixo dá a evolução das taxas de evasão para o setor público e o privado desde o fim do governo anterior até 2008(último ano disponível na sinopse do INEP).
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Taxa Evasão |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
2006 |
2007 |
2008 |
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Universidade
Pública |
25% |
27% |
23% |
37% |
41% |
45% |
42% |
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Universidade
Privada |
42% |
46% |
56% |
52% |
55% |
54% |
52% |
Não é preciso muita perspicácia para perceber que as taxas das universidades públicas saíram de patamares comparáveis às de países desenvolvidos para ficar abaixo daquelas de países da América Latina e Caribe, como México, Chile e Cuba. Assim como da maioria dos países da Europa Ocidental e dos tigres asiáticos. Por outro lado, o quadro das universidades particulares se mantém negativo ao longo de todo o período. As causas são várias e distintas em cada caso, e em cada curso, mas os dados aí estão. A expectativa em relação à evasão nas universidades públicas é de que piore o que já está ruim, pois em 2008 foi implantado o programa REUNI que tem por objetivo dobrar as vagas em quatro anos, sem que as devidas condições de recursos humanos e infra-estrutura tenham sido contempladas. A generalização do programa de cotas para egressos da escola pública, com proporções baseadas na descendência étnica, também vai acrescentar alguns pontos na taxa de evasão. Conforme mencionado na introdução, somente se considerou o ensino presencial, porém está havendo uma massiva introdução de cursos a distância que historicamente têm alta taxa de evasão.
A evasão tanto no setor público como privado é extremamente alta! Somente isso já justificaria em qualquer organização estatal ou privada uma reformulação radical do processo educacional. No entanto não é isso que se está vendo por parte dos dirigentes responsáveis pela educação no país.
A memória de cálculo da taxa de evasão está disponível nesse link.
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