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domingo, fevereiro 07 2010 - 06:30
Sistema de Seleção Unificada (SISU)
A real dimensão
Luis Paulo Vieira Braga
A denominação não esconde a meta ambiciosa – um sistema único para acesso à universidade – discutível em suas premissas e inexeqüível na sua primeira realização. Menos do que 50.000 vagas foram oferecidas pelo SISU de um total de mais de 350.000 vagas existentes em instituições públicas de ensino e de mais de 1.500.000 vagas do sistema privado de ensino superior.
Fruto do açodamento, o experimento patinou na segurança, o que causou o adiamento das provas, atrasando o calendário de aulas de 2010. Revelou falhas na formulação das questões e gerou mais de 13.000 reclamações na fase da inscrição eletrônica. Imaginem se todas as instituições de ensino superior tivessem aderido ao sistema. Universidades importantes ficaram de fora, total ou parcialmente. A USP e UNICAMP não participaram. A UFRJ e a UFF participaram parcialmente.
O experimento acabou sendo o que deveria ter sido desde o início – um piloto para orientar o desenvolvimento e aperfeiçoamento do sistema, a começar pela denominação - Muitas vozes se levantaram contra o rolo compressor do programa, que excluiu línguas estrangeiras e aspectos regionais em disciplinas tais como história e geografia. Outros criticaram o seu gigantismo, por que não fazer como os exames SAT(EUA) que são oferecidos mais de uma vez ao ano, em diversas localidades?
O SISU incorpora também o sistema de cotas para as instituições públicas que o adotaram: 50% das vagas reservadas para os alunos das escolas públicas, sendo que dessas, 70% destinadas a negros, pardos ou índios, inspirada na legislação norte-americana de políticas afirmativas. Porém lá os afro americanos são minoria, enquanto que aqui os “pardos” são maioria. Ao se fixar no critério demográfico, as instituições que o adotaram vão criar turmas com 50% de alunos altamente preparados para o ensino superior e 50% de alunos com deficiências de formação do ensino médio. A política afirmativa correta no caso do Brasil é aquela adotada por muitas ONGs e Universidades de criar cursos pré-vestibulares para alunos carentes, assim como prever formas de seu sustento ao longo do curso. A evasão de alunos não é baixa no Brasil, os concluintes no ensino público superior correspondem a pouco mais da metade dos ingressantes, e é provável que o número diminua ainda mais em função dessas medidas.
Outra conseqüência do sistema é a migração forçada, uma vez que o aluno só pode optar por uma instituição e um curso por vez. Ou seja, em regiões com alunos mais competitivos é de se esperar a estratégia de optar por cursos em unidades da federação com alunos menos “cotados” (com duplo sentido) o que vai acabar por deslocar os estudantes locais dessas regiões. O fato já foi detectado pela Secretária do Ensino Superior que o vê como a descoberta do Brasil pelos estudantes...
A engenharia social brasileira é dada a ficções e a inovações discutíveis. Uma delas é começar a construir o novo prédio da educação brasileira pelo telhado e não pelas suas bases.
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