blog
sobre o blog
links
artigos 2007+2008
fotoblog
bud
fale conosco
observatório da universidade ANO IV
Sistema de Seleção Unificada
domingo, fevereiro 07 2010 - 06:30

Sistema de Seleção Unificada (SISU)

A real dimensão

Luis Paulo Vieira Braga

A denominação não esconde a meta ambiciosa – um sistema único para acesso à universidade – discutível em suas premissas e inexeqüível na sua primeira realização. Menos do que 50.000 vagas foram oferecidas pelo SISU de um total de mais de 350.000 vagas existentes em instituições públicas de ensino e de mais de 1.500.000 vagas do sistema privado de ensino superior.

Fruto do açodamento, o experimento patinou na segurança, o que causou o adiamento das provas, atrasando o calendário de aulas de 2010. Revelou falhas na formulação das questões e gerou mais de 13.000 reclamações na fase da inscrição eletrônica. Imaginem se todas as instituições de ensino superior tivessem aderido ao sistema. Universidades importantes ficaram de fora, total ou parcialmente. A USP e UNICAMP não participaram. A UFRJ e a UFF participaram parcialmente.

O experimento acabou sendo o que deveria ter sido desde o início – um piloto para orientar o desenvolvimento e aperfeiçoamento do sistema, a começar pela denominação - Muitas vozes se levantaram contra o rolo compressor do programa, que excluiu línguas estrangeiras e aspectos regionais em disciplinas tais como história e geografia. Outros criticaram o seu gigantismo, por que não fazer como os exames SAT(EUA) que são oferecidos mais de uma vez ao ano, em diversas localidades?

O SISU incorpora também o sistema de cotas para as instituições públicas que o adotaram: 50% das vagas reservadas para os alunos das escolas públicas, sendo que dessas, 70% destinadas a negros, pardos ou índios, inspirada na legislação norte-americana de políticas afirmativas. Porém lá os afro americanos são minoria, enquanto que aqui os “pardos” são maioria. Ao se fixar no critério demográfico, as instituições que o adotaram vão criar turmas com 50% de alunos altamente preparados para o ensino superior e 50% de alunos com deficiências de formação do ensino médio. A política afirmativa correta no caso do Brasil é aquela adotada por muitas ONGs e Universidades de criar cursos pré-vestibulares para alunos carentes, assim como prever formas de seu sustento ao longo do curso. A evasão de alunos não é baixa no Brasil, os concluintes no ensino público superior correspondem a pouco mais da metade dos ingressantes, e é provável que o número diminua ainda mais em função dessas medidas.

Outra conseqüência do sistema é a migração forçada, uma vez que o aluno só pode optar por uma instituição e um curso por vez. Ou seja, em regiões com alunos mais competitivos é de se esperar a estratégia de optar por cursos em unidades da federação com alunos menos “cotados” (com duplo sentido) o que vai acabar por deslocar os estudantes locais dessas regiões. O fato já foi detectado pela Secretária do Ensino Superior que o vê como a descoberta do Brasil pelos estudantes...

A engenharia social brasileira é dada a ficções e a inovações discutíveis. Uma delas é começar a construir o novo prédio da educação brasileira pelo telhado e não pelas suas bases.

<< Navegar para domingo, 7 de fevereiro de 2010 Adicionar Novo Comentário
Nenhum registro encontrado        
Adicionar Novo Comentário
Seu nome  
Assunto  
Conteúdo:  

10001000101010101100110011001100110011001010000011000000111111111010000011000000111100001010000010100000100010001000100010101010
fevereiro de 2010
blogsobre o bloglinksartigos 2007+2008fotoblogbudfale conosco