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quarta-feira, janeiro 20 2010 - 11:39
Interatividade, a natureza da educação no século XXI
Luis Paulo Vieira Braga
As teorias pedagógicas evoluem ao longo dos tempos, principalmente no século passado durante o qual o vertiginoso desenvolvimento econômico e social criou enormes pressões sobre os sistemas nacionais de ensino. Educadores e pesquisadores elaboraram teorias sobre o aprendizado e o ensino, dentre as quais três grandes vertentes se destacam: associacionista, cognitiva e situada. Em cada uma delas encontram-se variantes, demonstrando a complexidade do tema que está longe de ter sido esgotado, até porque a contínua mudança da sociedade e do homem que nela habita torna o objeto de estudo da educação algo permanentemente dinâmico.
Passando ao nível do chão da sala de aula, defronta-se nos dias atuais com o enorme desafio de preparar as novas gerações para a vida em sociedade tanto no seu aspecto profissional, como vivencial, já que cada vez mais se transfere para as instituições de ensino tarefas de formação, que eram tipicamente das famílias.
O paradigma de transferência de conteúdo baseado em aulas expositivas e em livros texto dificilmente será bem sucedido entre jovens acostumados a uma mídia áudio visual, baseada em redes nacionais e globais. O ensino sempre teve um caráter social, atualmente este aspecto é o que se coloca em destaque e com uma intensidade jamais vista. A mudança é o reflexo da evolução do comportamento do cidadão na sociedade da informação. De mero consumidor de informações o homem e a mulher atuais tornaram-se produtores de informação. Dois fatores foram fundamentais para que isso se tornasse possível – novos e poderosos programas aplicativos e a rede mundial de computadores (internet). Assim qualquer um pode escrever um texto, propor uma nova teoria, fazer uma canção ou denunciar uma falcatrua. Sites, blogs, twitters, MSN, entre tantos outros aplicativos são as novas ferramentas que jovens, adultos e idosos dispõem para se fazer ver ou ouvir na sociedade do século XXI.
A abordagem situacional é a que nos parece mais sintonizada com esta nova realidade. Para ela “a aprendizagem é uma atividade inerentemente social, na qual o diálogo cooperativo permite que os participantes experimentem similaridades e diferenças entre vários pontos de vista. Professores, materiais instrucionais e colegas de classe são vistos como fontes de informação e insights que podem ser consultados para resolver problemas reais”1.
Dispomos correntemente de muitos aplicativos que facilitam o desenvolvimento de material instrucional compatível com as novas realidades com as quais o estudante já lida no seu cotidiano. Podemos destacar três grandes famílias de soluções: o ensino a distância, a web 2.0 e a realidade virtual.
No ensino a distância o aluno passa a ser co-responsável pelo processo de aprendizagem. As novas tecnologias deram um novo impulso a esta modalidade que vinha sendo até então praticada para estudantes situados em áreas remotas, e que agora é a solução de aprendizagem para aqueles que não dispõem de tempo para estudar em horários típicos das instituições de ensino. O EAD introduzido inicialmente para suprir o déficit de professores no ensino médio e fundamental alastrou-se por quase todos os tipos e níveis de curso. Moodle e blackboard são as duas plataformas mais comumente utilizadas.
A natureza da web 2.0 é permitir a interação entre e com os seus usuários. Devido à sua abrangência penetrou através de seus vários aplicativos nos lares da maioria das famílias de renda média ou alta no Brasil e vem alcançando as famílias de baixa renda também, graças às iniciativas de popularização do uso da internet. Em Mattar e Valente2 são apresentados diversos exemplos de uso educacional de programas tais como o You Tube, Google Docs, Twitter, entre outros.
A realidade virtual é um dos ambientes mais poderosos propostos pela revolução da informática, devido à sua capacidade de envolver o usuário nas atividades dispostas. Inicialmente voltados para jogos e entretenimento, os programas de realidade virtual rapidamente se adaptaram a funções pedagógicas. Um dos exemplos mais impactantes é o Second Life, aonde muitas experiência educacionais vêm sendo desenvolvidas. Além do livro mencionado no parágrafo anterior, recomendamos também a excelente obra de Damiani3.
1 As teorias pedagógicas fundamentais em EAD, Andrea Filatro, in Educação a Distância, Prentice Hall, 2007.
2. Second Life e WEB 2.0 na Educação, Carlos Valente e João Mattar, Novatec, 2009.
3. Second Life –Guia de Viagem, Edgard Damiani, Novatec, 2007.
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