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observatório da universidade ANO IV
O Sistema Estadual de Ensino Superior do Paraná
quinta-feira, novembro 19 2009 - 08:58

O SISTEMA ESTADUAL DE ENSINO SUPERIOR DO PARANÁ

Clóvis Pereira da Silva

O Sistema Estadual de Ensino Superior do Paraná - SEES, formado por instituições públicas e gratuitas, é constituído por seis Universidades: Universidade Estadual do Norte do Paraná-UENP, Universidade Estadual de Londrina –UEL, Universidade Estadual de Maringá – UEM, Universidade Estadual de Ponta Grossa –UEPG, Universidade Estadual do Centro-Oeste –UNICENTRO, Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE e, por várias Faculdades isoladas, tais como: Escola de Música e Belas Artes do Paraná, Faculdade de Artes do Paraná, Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá, Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória, dentre outras.

Tem sido motivo de nossa preocupação e, que é objeto desse artigo, a qualificação do corpo docente, o número de doutores titulados, desse sistema de ensino superior que é vital para o Estado Paraná, considerado como eixo estratégico do desenvolvimento científico, tecnológico, cultural e social do Estado e, que assim deve atender às necessidades estaduais, e contar com Políticas de Estado que o façam crescer com qualidade.

O leitor sabe da importância econômica, agrícola e cultural do Paraná para região Sul e para o país. E quanto à importância da produção científica e tecnológica do Paraná para o país e para a Região Sul?

Segundo dados da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná - SETI, com dada base em 30/6/2007, o Sistema Estadual de Ensino Superior – SEES, possui 5.310 docentes efetivos e 1.366 docentes temporários, nas Universidades Estaduais, totalizando 6.676 docentes. E ainda 783 docentes efetivos e 274 docentes temporários nas Faculdades isoladas, totalizando 1.057 docentes. As Universidades Estaduais ofertam 258 cursos de graduação presenciais e 17.262 vagas/ano. As Faculdades isoladas ofertam 79 cursos e graduação presenciais e 4.664 vagas/ano. O SEES do Paraná oferta 21.926 vagas/ano em nível de graduação, número que consideramos expressivos em face do contexto nacional.

O estado do SEES, que chamamos de calamitoso, emerge quando analisamos os dados fornecidos pela SETI com respeito à qualificação dos corpos docentes, doutores titulados, dessas instituições. Vejamos.

Docentes efetivos das Universidades Estaduais

Doutores .............................................................2.187

Mestres .............................................................2.164

Especialistas (curso lato sensu) .......................... 768

Docentes que possuem apenas a graduação ....191

Total de docentes efetivos ......... 5.310

Docentes efetivos das Faculdades Estaduais isoladas

Doutores ..............................................................76.

Neste grupo estão incluídos 39 doutores da UENP, que segundo dados da SETI em 30/6/2007, faziam parte das Faculdades isoladas (existentes em Bandeirantes, Cornélio Procópio e Jacarezinho).

Mestres ..............................................................313

Especialistas (curso lato sensu) ........................341

Docentes que possuem apenas a graduação .... 53

Total de docentes efetivos ....................783

Percentual de docentes efetivos doutores pertencentes ao SEES até 30/6/2007: 35,2%.

Esse percentual é muito baixo para as IEES do Paraná tendo em vista a importância do Estado no contexto econômico e científico nacional. Recomendamos que na próxima administração estadual que iniciará em janeiro de 2011, a SETI construa, aprove e implante o Plano Estadual de Capacitação Docente – PECD, como uma política de estado, contendo ações e metas a serem atingidos até 2021, com o percentual de 80% de doutores titulados do SEES a ser atingido em 2021.

Em função do atual baixo nível de doutores titulados efetivos e produtivos pertencentes ao SEES, as IEES do Paraná ofertam apenas 93 cursos de pós-graduação stricto sensu, sendo 73 cursos em nível de mestrado acadêmico e 20 cursos em nível de doutorado acadêmico.

O PECD que recomendamos deverá incorporar o princípio de que o Sistema Estadual de Ensino Superior - SEES é fator estratégico no processo de desenvolvimento científico, tecnológico, econômico, cultural e social do Estado do Paraná e Região Sul. Portanto, ele deverá representar uma referência institucional indispensável à formação de recursos humanos qualificados e ao potencial científico e tecnológico do Paraná.

É dentro do corpo docente qualificado e produtivo e, como efeito, dentro dos programas de pós-graduação stricto sensu mantidos por várias Universidades Estaduais e também, dentro dos Institutos de Pesquisa Estaduais (o Paraná possui vários Institutos de Pesquisa) que ocorre a atividade da pesquisa científica e tecnológica do Estado do Paraná. Devemos ressaltar que a criação, consolidação e desenvolvimento de um excelente Sistema Estadual de Ensino Superior não decorrem de um processo espontâneo do aumento de quadros e do aumento da qualificação do corpo docente das Instituições Estaduais de Ensino Superior, mas como produto de uma deliberada política indutiva, em grande medida concebida, conduzida e apoiada pela SETI e pelas instituições públicas, com decidido engajamento da comunidade acadêmica estadual.

O desempenho da produção científica e tecnológica do Estado do Paraná encontra-se intimamente ligado a uma mobilização permanente da comunidade acadêmica estadual, bem como a um processo contínuo de integração com a comunidade científica nacional e internacional, orquestrado e apoiado pela SETI, Fundação Araucária de apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná, CAPES e CNPq. Ao lado disso, o processo de aumento da qualificação dos docentes das Instituições Públicas Estaduais deve contar com um planejamento de médio e de longos prazos que, desde cedo, incorpore um adequado sistema interno de avaliação institucional e financiamento do poder público. O PECD 2011-2021, que recomendamos, deverá estabelecer também, como princípio norteador, que as conquistas realizadas pelo Sistema Estadual de Ensino Superior do Paraná devem ser preservadas e aprimoradas. Para tanto será necessário, cada vez mais, contar com os contínuos esforços empreendidos pelas comunidades acadêmica e científica do Paraná, observados as políticas governamentais estaduais para o setor, visando ao constante aperfeiçoamento institucional desse sistema.

O PECD que recomendamos deverá ter como um dos seus objetivos fundamentais uma expansão do Sistema Estadual de Ensino Superior que leve a expressivo aumento do número de docentes doutores titulados requeridos para a qualificação do Sistema de Ensino Superior do Paraná, do sistema de Ciência e Tecnologia e do Setor Empresarial estaduais. Portanto, a variável relevante da dinâmica do PECD que recomendamos deverá ser o doutor titulado.

O Art. 218, da Constituição Brasileira, estatui que o Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas, detalhando, em seus três parágrafos, a forma como essa promoção e incentivo se farão. O PECD que recomendamos deverá ter entre seus objetivos a melhoria da qualidade do ensino de graduação e de pós-graduação e a promoção humanística, científica e tecnológica do Estado do Paraná e da Região Sul.

Até os dias atuais o processo de capacitação de docentes das Instituições de Ensino Superior mantidas pelo Estado do Paraná tem sido espontâneo, individual, desordenado e pressionado por motivos conjunturais. O poder executivo estadual jamais elaborou e executou um Plano Estadual de Capacitação Docente para as IEES, como uma política de estado. Recomendamos que a nova gestão do Estado do Paraná que se iniciará em janeiro de 2011 aprove e implante um PECD nos moldes que temos alinhavado.

O SEES, segundo dados da SETI e já citados acima, oferta 20 cursos de doutorado acadêmico e 73 cursos de mestrado acadêmico. Um fato que denota preocupação de nossa parte é que, segundo avaliação da CAPES, desses cursos, 18% têm nota 5, 3% têm nota 6, nenhum tem nota 7. E, 76% desses cursos estão avaliados com notas entre 3 e 4. Esse fato nos denuncia algo de preocupante com os programas de pós-graduação stricto sensu ofertados pelo SEES do Paraná e, nos aponta para a necessidade de criação e implantação de uma política de estado que vise à melhoria de qualidade do SEES do Paraná.

Lembramos ao leitor que periodicamente o SEES do Paraná é avaliado pelo MEC em seus dois níveis de ensino, a graduação e a pós-graduação stricto sensu. Como o SEES do Paraná atende às necessidades estaduais, desejamos que ele conte com Políticas de Estado (que não existem atualmente) que o façam crescer com qualidade.

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Abraham Zakon - Escola de Química da UFRJ
sexta-feira, novembro 20 2009 - 08:28
Sistemas Estaduais de Educação Superior no Brasil e Doutores Titulados
1 - Excelente análise, que merece ser executada e apresentada por cada conjunto estadual brasileiro de faculdades e universidades. 2 - Se existe, falta abordar a análise das universidades ou instituições federais no Paraná. 3 - Fui aluno de Engenharia Química da Escola (Nacional) de Química da UFRJ (Universidade do Brasil) no sistema seriado dos ano 60, e tive aulas com vários docentes não-doutores, em regime parcial mas com grande experiência profissional e o curso continuou sendo o melhor do Brasil até os anos 80, quando surgiram no elenco de professores vários doutores em filosofia (PhD) e ciência (DSc)e poucos doutores em engenharia (DEng ou DIng), resultando em perda de espaços laboratoriais destinados à graduação, a conversão de docentes em pesquisadores-publicadores, e em algumas avaliações nacionais de desempenho, houve perda de notas máximas na graduação. 4 - Os doutores titulados vieram substituir os poucos catedráticos doutores que existiram antes da reforma universitária 1mplantada em 1971, sem a responsabilidade de formar equipes de ensino de graduação, pois cada um tem status e liberdade para ensinar o que considerar melhor, além de criar suas próprias disciplinas eletivas e o resultado é um emaranhado caótico de disciplinas, horários e critérios sem salas de aulas suficientes (inclusive pela criação de novos cursos de graduação) sem recursos orçamentários para as despesas rotineiras e de modernização de instalações. 5 - Sobre "políticas de estado": as reformas universitárias criaram desagregação e ainda converteram as antigas escolas técnicas em "centros federais de educação tecnológica (cefets)", criando cursos superiores curtos com baixo conteúdo curricular em ciências, que são hoje denominados "institutos federais de educação tecnológica (ifets?)", voltados para publicação de artigos científicos e tecnológicos e ninguém se lembra de mencionar a necessidade de tamanho esforço produzir patentes (que são negociáveis entre as nações e empresas ou entidades). 6 - Sobre "políticas de estado" não ficou claro para mim que os "docentes titulados" sejam obrigados a receber uma sólida formação voltada para a educação na graduação, onde cada docente deve ensinar o conteúdo da matéria indispensável aos graduandos ao invés de ensinar apenas o que aprendeu no doutorado. 7 - Sobre "políticas de estado" é necessário revisar a obrigatoriedade de "estágios obrigatórios" (muitos convertidos em estágios de iniciação científica com os "doutores titulados") e de "projetos finais de curso" (também transformados em atividades de iniciação científica ou de monografias), quando na minha graduação mais de seis disciplinas cobravam projetos de operações unitárias, processos químicos industriais e o conceito de "projeto de engenharia" era abordado em suas diversas faces e não inchava a grade curricular. 8 - Sobre "políticas de estado": como cada estado brasileiro da Federação irá melhorar o seu respectivo sistema estadual de ensino superior se há concorrência política com a criação de universidades federais e faltam verbas orçamentárias e a legislação emana do MEC?
Joao PM Torres
sexta-feira, novembro 20 2009 - 07:22
IEES Parana
Eu vivi isso em Maringa entre 1992 e 1994. Na ocasiao me disseram que eu teria que esperar uns 9 anos para eu me doutorar... pulei fora, claro. Jp
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