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quarta-feira, novembro 11 2009 - 10:36
Na educação os apagões viraram rotina
Luis Paulo Vieira Braga
Boa parte da população brasileira foi constrangida ontem (10/11/09) a voltar alguns séculos atrás e lidar com uma realidade sem energia elétrica. No entanto, na educação já estamos nos acostumando com os sucessivos apagões dos programas ambiciosos do ministro performático.
Recentemente foi o fiasco do ENEM, adiado para dezembro, devido a falhas na segurança que resultaram em um rocambolesco episódio de furto e divulgação das provas. Para desespero dos estudantes vestibulandos, diante de tanto açodamento nas inovações propostas, a nova data dos exames foi adiada para dezembro, complicando todo o calendário de vestibulares das universidades públicas e privadas. E isto é só o começo, quando os aprovados precisarem recorrer ao portal para garantir sua opção de matrícula, teremos uma nova crise no ENEM. Aguardem e verão.
Depois veio a aplicação do ENADE, precedida de diversos episódios de fragilidade na segurança do transporte e do sigilo das provas. Para piorar ainda mais, o que já estava ruim, várias questões da parte geral do exame estão sendo contestadas pelo seu viés puramente político.
Fechando com chave de ouro a temporada de micos, o Ministro da Educação comparece a uma audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o Projeto do Governo para a Reforma Universitária, e declara, para espanto de todos, que o projeto não deve ser votado, porque não corresponde mais à realidade...
Tudo isto se passa graças à cumplicidade das reitorias e conselhos universitários, por um lado, e à fraqueza das associações docentes, por outro. Dentre estas últimas, umas comprometidas com a agenda governamental, outras sobrecarregadas com temas extra-acadêmicos tais como MST e CONLUTAS.
Já é tempo dos docentes começarem a contestar seus representantes nas instâncias superiores das universidades e nas direções das associações docentes. Pois, trata-se de dinheiro público que está sendo gasto de forma inadequada - No mínimo ! Causando enormes contratempos para a população usuária da universidade, assim como para a comunidade acadêmica, que tem de arcar com o ônus de projetos inadequados, que fazem as perguntas erradas, e que dão as piores respostas possíveis.
Há alguns meses atrás discutiu-se na Comissão Editorial do OBSUNI a idéia de criação de um grupo de discussão a nível nacional, para desenvolver uma pauta de real interesse da comunidade universitária junto às instâncias decisórias. A pressão da opinião pública ainda é uma das maiores forças, que a sociedade dispõe, para desmascarar o consenso forjado nos conchavos dos colegiados viciados da estrutura acadêmica ou sindical. A discussão continua aberta, e agora é levada a todos os contatos do OBSUNI.
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