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sexta-feira, outubro 16 2009 - 09:55
À Coordenação do Programa de Pós-graduação em Educação da UFF*
Angela Siqueira (UFF)
Andei pensando muito e creio o que venho fazendo há alguns anos, em especial em termos de produção do conhecimento e sua divulgação, não segue o modelo CAPES de avaliação, que privilegia publicações em determinados veículos e não debates públicos, forma que mais utilizo.Nesse sentido, participei de vários debates em mesas com outros colegas de academia de distintas universidades do Brasil e do exterior (UNAM, UBA,Stanford, Teachers College/Columbia, Harvard, Penn, Toronto, etc); comrepresentantes de organismos internacionais, como o Banco Mundial, UNESCO,OCDE; com reitores; representantes do ANDES, ANDIFES, PROIFES, UNE, UBES,MEC/ SESu/REUNI, empresários da educação, economistas, sociólogos,deputados federais, etc. Também participei de entrevistas para jornais, programas de rádio e de TVs.
Certamente que para cada um desses debates e entrevistas para os quais fui convidada tive que preparar textos, slides, que sempre enviei e envio aos que pedem, deixo cópias e troco com outros colegas e disponibilizo para alunos. Introduzi no Programa uma discussão mais consistente sobre organismos internacionais e educação, o que tem gerado e/ou contribuído para várias monografias de graduação, especialização, mestrado e doutorado na UFF e fora da UFF, bem como no exterior. Venho dando aulas na graduação e na pós todos os semestres, além de ter orientandos de graduação, mestrado e doutorado. Também tenho dado pareceres para revistas e jornais no Brasil e no exterior, bem como em comitês de eventos acadêmicos, como a ANPEd e SBPC. Fui membro de bancas de avaliação de TCs, dissertações e teses, na UFF e na UERJ. Participei de bancas de concursos públicos para seleção de professores (UFF e UFRJ) , bem como de credenciamento, esta na UFRJ. Tenho algumas publicações no Brasil e em outras países (EUA, Alemanha,Inglaterra), e minha tese e outros trabalhos são citados em teses e publicações de outros países, como Itália e Canadá.
Além dessa parte mais acadêmica, por várias vezes contribuí para a vida universitária, trabalhando em funções administrativas (mas sem jamais deixar de dar aulas ou realizar pesquisas), e atualmente estou como titular nos colegiados de curso e de unidade, além de no conselho universitário, onde fui indicada para duas comissões ainda não instaladas: uma sobre política de segurança da UFF e outra sobre as fundações de apoio na UFF. Também estou na coordenação do NEDDATE e por algum tempo estive como representante do Campo Trabalho e Educação na Compós, como representante na seleção ao mestrado e membro do Campo na seleção ao doutorado.
Enfim, creio que venho cumprindo com o que me cabe como professora de uma universidade pública, desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa, extensão, além representação em órgãos deliberativos internos. Não tenho a preocupação de buscar um “veículo qualis" para enviar um texto para publicação e nem de ter que obedecer uma definição heterônoma, mas já incorporado e aceita por todos os programas de pós-graduação, sobre quando, como e onde publicar. Mais ainda, não considero que essa seja a única ou mais importante forma de divulgar e colocar em debate o conhecimento produzido, seja pelos pares, pela sociedade ou pelos “ímpares”.
Nesse sentido, vejo que não me encaixo na atual perspectiva de avaliação do trabalho docente, que se baseia na lógica do “publish or perish”, e solicito minha mudança para professor colaborador, informando que não vou mais oferecer vagas e que pretendo sair da pós-graduação assim que concluir as orientações que assumi. No entanto, continuarei desenvolvendo meu trabalho na UFF, exceto dar aulas e orientar na pós, mas me permitindo ser mais feliz, mantendo a coerência de meu trabalho, a articulação teórico-prática, o tempo acadêmico para reflexão e produção e o engajamento político, sem ter que me encaixar/submeter a uma forma de medição de produtividade como forma e fôrma única para avaliar o trabalho docente e nem ao tempo definido por metas de produtividade a serem atingidas, que para esta avaliação não só foram duplicadas, como também ainda tem que ser submetidas a novidade da trava.
*Niterói, 30 de junho de 2009
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