Dando início a uma série de postagens de textos e vídeos sobre Educação a Distância (EAD) o Observatório da Universidade apresenta um relato resumido da abertura do 15o Congresso Internacional de Educação a Distância
Azevedo vai à forra
Luis Paulo Vieira Braga
Embalado pelos acordes da Orquestra Eleazar de Carvalho, iniciou-se o 15o Congresso Internacional de Educação a Distância, no Centro de Convenções do Hotel Praia Centro, em Fortaleza. Os mais de 1200 inscritos, além de dirigentes estaduais do PSB, municipais do PT e representantes do Ministro Haddad ouviram a aula magna proferida por ninguém menos que José Carlos Azevedo, ex-reitor da UnB, nos anos de chumbo do regime militar. Iniciativa de Fredric Lito, presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), que com o convite buscou resgatar, com o depoimento do convidado, a história de uma malograda tentativa de implantação do ensino a distância no Brasil, ainda nos anos setenta. Mas não foram os estudantes e professores rebelados, de então, os responsáveis. O fogo amigo partiu do próprio MEC, na gestão de Eduardo Portela e depois de Esther Figueiredo e a pá de cal foi posta pelo reitor que sucedeu Azevedo – Cristovam Buarque.
Além da própria experiência, o ex-reitor citou também o arquivamento de um outro projeto, do INPE, denominado projeto SACI que era difundido via satélite. Enquanto que no mundo, segundo o professor Azevedo, outros países avançaram em seus projetos de EAD, o governo do Brasil só teria despertado para a importância desta modalidade no governo Lula.
Em outro momento da abertura, o Secretário de Ensino a Distância do MEC, classificou como exceções as reações da Prefeitura de São Paulo e dos Conselhos Federais de Biologia e Enfermagem que vêm se recusando a aceitar profissionais formados em cursos a distância. Segundo ele, caso não haja recuo por parte destes órgãos, o MEC vai entrar na justiça contra eles.
Outro participante da mesa de abertura fez denúncias contra a discriminação de cursos a distância, o presidente da Associação de Estudantes de Educação a Distância relatou a recusa da UNE em emitir carteiras para estudantes nesta modalidade.
Mas se, por um lado, os governos federal, estadual e municipal parecem, desta vez, estarem acertando o passo no rumo da educação de massa via EAD, por outro, o modelo centralizado de produção de courseware, baseado em Learning Management System (LMS), como é o caso do MOODLE e BLACKBOARD, começa a apresentar problemas tanto com os docentes (cuja maioria não participa da geração do conteúdo e se sente marginalizada), como com os alunos que continuam se sentindo muito passivos e pouco motivados. A solução para alguns, seria partir para o uso de objetos de aprendizagem da WEB 2.0, de natureza interativa, consagrando o trabalho cooperativo entre todas as partes envolvidas.
Portanto a EAD, que ainda resisto em classificar como educação, pode sofrer novos percalços, desta vez, pelo excesso de adesão das autoridades constituídas.