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quinta-feira, outubro 08 2009 - 07:10
Problema no ENEM = açodamento do MEC
Antonio Mac Dowell de Figueiredo
Em abril deste ano, eu publiquei neste blog um longo comentário sobre a proposta do "novo ENEM". Concluía assim:
"Um dos aspectos mais trágicos da cultura política brasileira é adefinição de programas ou de ações ad hoc que, a posteriori e superficialmente, procuram compensar os estragos feitos por uma usina social que gera, sem parar, desigualdade, iniquidade e exclusão.No caso do sistema educacional, políticas compensatórias não superarão definitivamente nem a desigualdade, nem a exclusão. A solução de base é evidente. E radical. Ela é cara? Sim. Mexe com interesses estabelecidos? Certamente. Exige coragem e determinação? Sim, a de optar e a de persistir. Exige tempo? Sim, tanto de elaboração quanto de implantação. Mais de seis meses? Sua implantação, com certeza, mais de quatro anos. Pode frustrar projetos políticos pessoais ou de grupos? Provavelmente....O momento de tentar, porém, já tarda."
Agora, o INEP e a SESu argumentam que a necessidade do "fazer logo" procurou: (1) evitar o ambiente da disputa eleitoral em 2010; (2) atender a uma urgente demanda social desde sempre desconsiderada. Pura hipocrisia e inconsistência. A razão do "fazer logo" foi justamente o calendário eleitoral; apresentar uma realização de evidente impacto. Demanda social, por outro lado, se atende com medida estruturais, consistentes, bem pensadas e discutidas.
Então, mau senso ou falta de bom senso?
PS: Com tudo isso, creio que, dado o fato do vazamento da prova, o MEC agiu com extrema rapidez e evidente bom senso! O que não o exime de responsabilização pelo açodamento que causou tamanho estrago.
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