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quinta-feira, julho 30 2009 - 12:16
Que tal um memorial para os vivos ?
Luis Paulo Vieira Braga
O Plano Diretor 2020 propõe dois memoriais no campus do Fundão, um para os estudantes mortos pela ditadura e outro para os operários mortos na construção da ponte Rio-Niterói. Ali mesmo ao lado do antigo canteiro de obras existe há mais de trinta anos um bairro denominado Vila dos Funcionários cujas condições são bastante precárias, como consta no texto seguinte:
“A Vila Residencial surgiu na década de 70 a partir de um canteiro de obras relativo à construção da Ponte Rio-Niterói. Ali foram feitos alojamentos para abrigar os funcionários responsáveis pelas obras da ponte. Ao término dessas, o processo de ocupação ocorreu por dois motivos principais: a solicitação de residências por funcionários da UFRJ à gestão da época e processos de transferência de funcionários que ocupavam outras áreas do Campus Universitário, para essa área que veio a formar a Vila Residencial da UFRJ.
A Vila se localiza na Ilha do Fundão, possui cerca de 180.000 m2 de área, é caracterizada por terreno acidentado, quase ao nível do mar, cercada de manguezais e é composta de 316 residências, totalizando 1.375 moradores.
A prestação de serviços é bastante reduzida. O comércio se resume a alguns estabelecimentos de pequeno porte e pouca variedade.Em relação ao setor de saúde, os serviços são praticamente nulos. O único suporte que recebem é o prestado pelo grupo da EEAN, conforme veremos adiante. Não há consultório médico ou odontológico, os moradores dependem do Hospital Universitário (HU) para receberem serviços de saúde. No caso de emergências, a comunidade está completamente desamparada, já que o HU não possui esse tipo de atendimento.
Há serviço de luz e água, gratuitos. A luz, precária, é garantida pelo sistema de iluminação pública da RioLuz, e a água é fornecida pelo sistema que serve a Cidade Universitária. Não há esgoto sanitário, os resíduos são lançados diretamente na Baía de Guanabara.
Problemas urbanos e espaciais podem ser observados: falta de saneamento básico; enchentes freqüentes; ruas não asfaltadas e sem calçadas; desigualdade social entre as casas;poluição da Baía de Guanabara; falta de serviços, principalmente médicos. Devem também ser ressaltados os problemas sociais: mulheres que apanham em casa,pais que batem em crianças, idosos deprimidos, jovens drogados, pessoas com armas de fogo em casa, alto índice de adultérios e de doenças sexualmente transmissíveis.”
( Extraído do artigo Vila Residencial da UFRJ: uma análise de três projetos de extensão,Gabriela de Faria G. Valadão(UFRJ), Juliana Santos (UFRJ) apresentado no I Encontro de Engenharia e Desenvolvimento Social, RJ, Brasil, 13 e 14 de maio de 2004Núcleo de Solidariedade Técnica – SOLTEC/UFRJ)
Se consultarmos o documento sobre o Plano Diretor, encontramos referências a unidades residenciais múltiplas construídas nos assim chamados centros de convergência. Mas não é claro o destino da Vila Residencial. Será demolida ? E seus moradores transferidos para estas novas unidades ? Caso a Vila permaneça aonde está, aparentemente continuará segregada, pois a expansão da rede de transportes não chega até ela, como se pode ver à página 53 do documento UFRJ2020 plano diretor. Nem há nenhuma previsão no documento de reurbanização desta área. Considerando que o arquiteto chefe do projeto é especialista em integração de áreas degradadas, cabe um esclarecimento a este respeito, para que no futuro não se tenha que erguer mais um memorial, desta vez, aos mortos da Vila Residencial.
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