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segunda-feira, julho 20 2009 - 10:49
Prédios novos para idéias velhas*
Ao divulgar o “Plano Diretor UFRJ2020 – Proposta para discussão” a Reitoria da UFRJ apresenta um ambicioso plano de implantação de prédios e outras obras de engenharia no campus da Ilha do Fundão, consagrando assim a centralização da Universidade Federal do Rio de Janeiro em um só campus, supostamente sem prejuízo dos outros campi em implantação fora do município do Rio de Janeiro como Macaé e Xerém, e de algumas unidades isoladas que preferiram ficar aonde estão, como foram os casos, entre outros, do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e da Escola de Música (EM). Além, é claro, das unidades remanescentes do campus da Praia Vermelha, como a Escola de Serviço Social (ESS) e a Escola de Comunicação(ECO), entre outras. O plano está dividido em três fases: 2012, 2016 e 2020, porém, obviamente, os recursos da ordem de 86 milhões de reais estariam garantidos para a primeira fase que consiste em prolongamentos ou complementações de edificações existentes. Os recursos são parte da contrapartida pela adesão ao REUNI que implica na duplicação das vagas discentes, que passariam dos 41.007 alunos em 2008 para 65.120 em 2012 até atingir 88.530 em 2020. Neste mesmo período o corpo social da UFRJ passaria de 53.048 pessoas para 109.310. Portanto, é mais realista discutir a primeira fase do plano que parece estar mais próxima da viabilidade do que as demais.
A expansão de salas de aula, bibliotecas, restaurantes e alojamentos atende a uma necessidade real existente não só no campus Fundão, mas também no campus Praia Vermelha e nas unidades isoladas que ficaram de fora das ações mais concretas previstas, excetuando-se as vagas referencias a um centro de convenções e a outro cultural. É inquietante que um plano diretor dirigido para a universidade ignore nas suas previsões o que deve ser feito nas unidades que já optaram por permanecer aonde estão e que têm necessidades de expansão e recuperação de suas instalações. A omissão é tanto mais grave quanto a adesão que muitas dessas unidades excluídas fizeram para o REUNI contribuindo para o aumento global de vagas. As poucas páginas dedicadas ao presente do campus da Praia vermelha e unidades isoladas chocam o leitor ao se deparar com a projeção temporal detalhada do campus Fundão até 2020. Quem acompanhou as discussões preliminares sobre a implantação deste plano testemunhou o rolo compressor que mais uma vez a Reitoria e seus aliados impuseram aos colegiados pertinentes a esta questão.
O plano diretor é filho do casamento da UFRJ com o REUNI que, como já foi mencionado, implicou no aumento de vagas discentes, seja pela inclusão de novos turnos ou de novos cursos. Como a discussão sobre a reforma universitária ficou pelo caminho, a reavaliação da missão da UFRJ no cenário da educação, pesquisa e extensão fica cada vez mais a critério de cada grupo acadêmico. Assim uns acham que a via para o novo ensino superior é o modelo de Bolonha, outros já pensam que seja a oferta de cursos noturnos, ou a oferta de cursos mais técnicos como Gastronomia ou Turismo, ou quem sabe a abertura de novos campi. Dado que o consenso não foi encontrado, nem procurado verdadeiramente, adota-se a heterodoxia, cada um faz o que acha que deve fazer.
O mito da torre de Babel pode servir para ilustrar o desdobramento das ações da Reitoria no campus do Fundão. Os seus usuários sofrem a cada dia com as dificuldades de acesso e principalmente de saída da ilha. A partir do momento em que o novo CENPES começar a funcionar, conjugado às diversas obras de engenharia que o plano diretor planeja a partir deste ano, teremos uma situação insuportável no trânsito doméstico da cidade universitária. É fundamental que se elabore um plano de emergência para se fazer frente a este cenário. O mundo não para enquanto se planeja o futuro. E não se trata de responsabilizar o uso individual do automóvel pelo caos na cidade universitária, segundo dados da própria Reitoria, apenas 25% dos seus usuários vão de carro próprio.
*Luis Paulo Vieira Braga é professor associado da UFRJ
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