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observatório da universidade ANO VI
O futuro do livro
sexta-feira, julho 17 2009 - 11:30


                                                        O futuro do livro* 
                                        

                                        Ana Cláudia Ribeiro**


Li, há um ano, um artigo do economista Paul Krugman,[1] que comparava o livro eletrônico ao Brasil. Dizia, em tom jocoso, que a nossa máxima “O Brasil é o país do futuro –- e sempre será” se aplicava bem aos e-books. Notícias sobre o assunto pipocavam aqui e acolá, esporadicamente, mas nada que realmente fosse capaz de sacudir o mundo editorial. Motivos para essa falta de interesse não faltavam. A leitura de textos longos na tela do computador é desconfortável e cansativa, e em geral a impressão em papel feita em casa torna o livro mais caro que sua bem-acabada versão industrial. Os “readers” (aparelhos para leitura do livro eletrônico) eram pequenos, com pouca qualidade de imagem e softwares que exigiam a reformatação do texto original para leitura, desfigurando gráficos e tabelas.

Finalmente, parece que o “futuro” chegou. Novidades sobre e-books e versões eletrônicas, agora, aparecem diariamente nos veículos de comunicação. Os novos aparelhos têm telas maiores, com uma tecnologia (e-ink) que não emitem luz, possibilitando uma leitura mais agradável. Eles já suportam o formato PDF nativo, o que elimina as reconstruções do texto. E grandes empresas já estão interessadas nesse nicho. A Sony está lançando uma nova geração do seu leitor de livros eletrônicos, com visor touch screen e luz embutida. O Google, com seu programa de digitalização de livros, fechou recentemente acordo milionário com editoras e autores americanos. A Amazon investe em seu e-book reader Kindle, uma proposta que conjuga o aparelho com uma plataforma de venda de livros conectada via internet.

A indústria editorial tradicional, em especial a brasileira, dá fracos sinais de envolvimento nessa nova onda, talvez por achar que isso ainda não lhe diz respeito, ou por temer a pirataria cibernética. Dos três grandes players citados acima, nenhum é editora. A que mais se aproxima do setor editorial é a Amazon, que nasceu como livraria e se transformou numa enorme varejista de internet.

Clayton Christensen,[2] pesquisador da Harvard Business School, usa o termo “tecnologia disruptiva” para tratar de uma nova tecnologia, em geral mais simples e barata, que muda o paradigma de concorrência e acaba dominando o mercado. Essa mudança, que vem de baixo, acaba fazendo com que grandes empresas, que oferecem produtos mais caros e sofisticados, entrem em colapso, pois não conseguem adaptar seus modelos de negócios às novas regras. O exemplo da indústria fonográfica é emblemático: grandes gravadoras, que antes concentravam todos os lançamentos de novos grupos musicais, foram suplantadas pelo MP3 player e pela internet. O arrebatador Ipod foi lançado não por uma gravadora, mas pela Apple, uma empresa de informática. Artistas famosos como Madonna, hoje, já assinam contratos diretamente com empresas produtoras de eventos.

Segundo o Citigroup, “o Kindle, da Amazon, é o Ipod dos livros”. [3] É bastante provável que os e-books sejam essa tecnologia disruptiva para a indústria editorial. Seus impactos serão sentidos em toda a cadeia produtiva: fabricantes de papel, gráficas, editoras, distribuidores, livreiros, autores. A discussão do copyright sairá dos domínios do livro universitário e será colocada em evidência, já que as versões eletrônicas têm um apelo forte à cópia ilegal. Se cópias não autorizadas invadirem o mercado todos perdem, inclusive os autores, que, diferentemente dos músicos, não são dados a espetáculos...

Toda grande mudança demanda adaptações, e essas adaptações não são nada fáceis. Uma grande editora, por exemplo, tem laços de confiança com livrarias que poderão ser quebrados caso resolva investir no digital. Para estar preparado para a mudança, é preciso conhecer os fatos e planejar estratégias. Aqueles que investirem e acompanharem as inovações tecnológicas, sem perder de vista o mercado, certamente terão chances muito maiores de êxito nessa ruptura. Vamos ler e aguardar.

*Publicado originalmente na revista eletrônica plurale
http://www.plurale.com.br

**Ana Claudia Ribeiro é designer,
mestre em Engenharia de Produção na Coppe/UFRJ
e sócia-fundadora da Editora E-papers.
http://www.e-papers.com.br


[1] KRUGMAN, Paul. Bits, Bands and Book. The New York Times, June 6, 2008. Disponível em http://www.nytimes.com/2008/06/06/opinion/06krugman.html

[2] http://www.claytonchristensen.com/disruptive_innovation.html

[3] http://portalexame.abril.com.br/agencias/reuters/reuters-tecnologia/detail/kindle-amazon-ipod-livros-diz-citigroup-257438.shtml

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quarta-feira, abril 04 2012 - 04:21
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dwra
segunda-feira, abril 02 2012 - 06:17
RpZhjdIwpjUeT
Opa, muito bom. Je1 esperava tal fbceeadk do kindle. No site da amazon tem muito informae7e3o sobre ele, e por la mesmo ja dava pra perceber que era um produto excelente.Sf3 ne3o entendi a parte wifi propriete1ria , o que vocea quer dizer com isso? A conexe3o e9 via wifi comum? Ou e9 necesse1rio pagar uma taxa mensal para servie7os da Amazon?Quanto a kindle store, acredito que a variedade de livros deve ser grande quando se procura na lingua inglesa, mas livros BRs he1 tambem? Caberia ai um tipo de parceria Amazon Saraiva?Do mais muito show,Vlws.
luis paulo
domingo, julho 19 2009 - 03:44
o futuro das livrarias
Em "O Culto do Amador" Andrew Keen faz um relato dramático do fechamento das principais redes de lojas de disco e gravadoras dos EUA devido à distribuição de música via internet. O mesmo poderá ocorrer com as livrarias e os livros, pois os parelhos de leitura serão vendidos em lojas de eletrodomésticos e os livros pela internet. É uma questão de preço (ainda alto para esses aparelhos) e tempo.
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