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quinta-feira, junho 25 2009 - 10:46
PDInfo*
Por todo o país, nos campi das universidades federais novas e antigas, o REUNI provocou uma primavera de obras e concursos. Embalados pelos mantras de reestruturação e ampliação, as reitorias estão envolvidas nas duas atividades que mais rendem dividendos políticos - inaugurar prédios e empossar concursados. É verdade que o ritmo das construções deixa a desejar e os novos docentes nem sempre encontram as condições mínimas para o exercício da profissão, mas para um setor que vinha tendo um crescimento vegetativo nas últimas décadas, é inegável que as transformações vieram para ficar. Sustentabilidade já foi a palavra da moda, agora virou palavrão, mas a questão que o termo poderia suscitar continua válido – São viáveis a curto prazo as transformações induzidas pelo REUNI ou teremos um choque de hipertrofia ?
Pelo menos em um aspecto, além de outros já suscitados em textos anteriores publicados pelo OBSUNI (ver link reforma universitária ao lado), pode-se prever dificuldades – infra-estrutura em informática. É até surpreendente que uma transformação orientada para uma Nova Universidade, como desejam seus paladinos, tenha negligenciado a tal ponto o papel de um setor que é par obrigatório dos projetos modernizantes. Por exemplo, a melhoria do ensino básico é impensável sem um laptop para cada professor e cada aluno, ainda que não se saiba muito bem o que vai se fazer com ele. A sociedade se integra a passos largos à informática – livros eletrônicos, redes sem fio, conexão permanente, porém as universidades emergentes do REUNI estão envolvidas com ferro e cimento, papelada e provas magistrais. Os desafios correntes da educação superior não podem ser vencidos apenas com a replicação dos meios físicos atuais.
O papel que a informática pode desempenhar na modernização das universidades vai desde a conservação do acervo atual (ver BUD 24 no link acima ), passando pelo acesso à internet, até as novas metodologias de ensino. É intrigante que sejam as prefeituras de alguns municípios as pioneiras na implantação de redes sem fio para toda a municipalidade, enquanto a maioria dos campi das IFES dependa exclusivamente de cabos e tomadas para o acesso à rede. Em alguns estados, professores do ensino médio estão recebendo computadores e os alunos também, no entanto, no ensino superior federal ainda prevalece o quadro negro e o giz (de má qualidade, por sinal) e as fotocópias como vias de transmissão de conhecimento. Enquanto que no serviço público federal aperfeiçoam-se os portais e a prestação de serviços pela internet, nas universidades federais estes sistemas ainda são muito limitados ou ineficientes (na UFRJ o sistema SIGA de gerenciamento de disciplinas e matrículas é constantemente alvo de críticas).
É fundamental, portanto, que se estabeleçam diretrizes para a informatização das IFES, buscando soluções abrangentes que permitam reduzir custos através da escala de encomendas. Tão importante quanto a ordenação do espaço físico é a ordenação do ciber-espaço, pois cada vez mais este condiciona aquele.
*Luis Paulo Vieira Braga é professor associado da UFRJ
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