blog
sobre o blog
links
artigos 2007 a 2010
fotoblog
bud
fale conosco
observatório da universidade ANO VI
DE (Dedicação Extemporânea)
segunda-feira, maio 25 2009 - 03:27

DE (Dedicação Extemporânea)*

Tudo indica que o regime de Dedicação Exclusiva para os docentes das universidades federais está com os dias contados. A mudança faz parte de um pacote ainda em discussão com a ANDIFES que a SESU encaminhou no dia 12 de maio último. A questão central é a regulação dos projetos de prestação de serviços e atendem a Acórdão do TCU que enquadra as atividades das ditas Fundações de Apoio às universidades, muitas das quais se envolveram em rumorosos escândalos nos últimos anos. Mas a questão da reestruturação da carreira docente emerge em parte como conseqüência do recebimento pelo docente de adicionais aos vencimentos, e também em virtude do compromisso assumido nas negociações salariais de 2007 entre Ministérios do Planejamento, Educação, PROIFES (vitorioso nas eleições recentes na ADUFRGS e ADUFC) e CUT.

No roteiro apresentado pelo governo, o regime de dedicação exclusiva desapareceria, a GEMAS seria incorporada ao vencimento básico e seria criada uma gratificação de dedicação exclusiva à qual o docente poderia postular caso não recebesse pagamento por projetos, nem por atividades de pesquisa. Operacionalmente todos os pagamentos passariam pelo SIAPE e o valor recebido não poderia ultrapassar o teto constitucional que atualmente é de cerca de R$ 24.000,00.

Estrutura Atual

Proposta

Vencimento Básico

Vencimento Básico

GEMAS

Titulação

Titulação

20/40/DE

20/40

Gratificação de Dedicação Exclusiva

O esforço de regulação da carreira docente, assim como da prestação de serviços vem a reboque de uma situação de fato há muito tempo instalada nas universidades federais. A suplementação salarial seja pela via das bolsas de pesquisa, seja pela via dos projetos foi conseqüência dos ciclos de defasagem salarial que atingiram os docentes em repetidas ocasiões. Serviram para diminuir as pressões sobre o governo, ao subtrair das hostes sindicalizadas o apoio de segmentos importantes da categoria docente, além de aliviar o peso da folha salarial oficial. Como de hábito, as soluções casuísticas de ontem, tornam-se os problemas crônicos de hoje. Convivem no mesmo espaço professores pesquisadores, consultores e regulares, muitas vezes abdicando de parte significativa de suas funções regulares em benefício de suas funções acessórias.

Ao extinguir a DE como regime, tornando-a gratificação, o governo supostamente corrige distorções salariais para cima (resta saber se vai evitar distorções salariais para baixo) mas, por outro lado, institucionaliza a descentralização e dispersão acadêmica de boa parte das atividades produtivas da universidade, colocando-as ao encargo do mercado e das agências financiadoras de pesquisa.

Obviamente as recomendações do TCU se atem ao aspecto financeiro e jurídico, mas em nada contemplam o aspecto acadêmico. A resposta que a ANDIFES e a comunidade acadêmica vão dar à provocação do MEC precisa levar isso em conta.

*Luis Paulo Vieira Braga é professor associado da UFRJ

<< Navegar para segunda-feira, 25 de maio de 2009 Adicionar Novo Comentário
Ricardo Bezerra
quinta-feira, julho 02 2009 - 07:59
Salário insuficiente
A questão é que mesmmo com D.E. a remuneração é insuficiente para se sobreviver decentemente sem uma atuação nos chamados cursos auto-financiados (MBAs)...
Maria Aparecida da Silva - Letras UFRJ
terça-feira, maio 26 2009 - 11:16
Quem foi que disse?
Que a DE acabou em algum momento do passado ou que irá acabar agora? A proposta da SESu-MEC não prevê a extinção da DE, que vem sendo concedida, numa faixa especial de vencimentos, há muitas décadas. O que a proposta sinaliza é a eliminação desta faixa 40H+DE e a transformação da dedicação exclusiva em gratificação separada. Ganha quem não realiza serviço remunerado para outra instituição, nem através de contratos nem bolsas. Se a bolsa de produtividade do CNPq é um prêmio dado aos mais "capazes" e não uma remuneração por prestação de serviço em pesquisa, então os docentes contemplados nada têm a temer. Até porque, perto dos benefícios obtidos pelos pesquisadores agraciados com as bolsas do CNPq e congêneres, a DE não passa da prima pobre da família acadêmica. Para molusco, que também é filho de Deus, tá mais do que bom.
Rui Cerqueira
terça-feira, maio 26 2009 - 01:14
Quanto mais eu rezo...
mais assombração me aparece! Por anos a maioria dos professores abdicou de outros empregos para fazer juz a dedicação exclusiva. A bolsa do CNPq, irrisória, é um prêmio aos mais trabalhadores (e competentes). Mesmo com distorções (esperadas pois são seres humanos que julgam...) ela é uma distinção. Sei que parte do baixo clero gostaria que isto não existisse. Mas não podemos levar tais desejos a sério. O merecimento de tais bolsas é avaliado continuamente. Fazer consultorias eventuais que redundem em lucros à empresas privadas devem ser remuneradas pois seria um subsídio exagerado a tais empresas se assim não o fossem. O problema é quando uma minoria só faz consultoria em detrimento das demais atividades. E vão continuar fazendo não importa o regime pois não há maior controle de quem trabalha ou não trabalha. E muito menos de quem trabalha direito ou não! Durante muito tempo a DE era uma gratificação farsesca "controlada" anualmente. Quando acabou pelo menos pôs cobro a farsa. Mas agora os moluscos em seu afã de destruir a universidade publica querem a volta ao passado. Não é atoa que certas autoridades falam tão bem dos tempos da ditadura...
Maria Aparecida da Silva - Letras UFRJ
terça-feira, maio 26 2009 - 11:42
Incongruência
Se esta previsão do Luiz Eduardo se realizar de fato, será a maior das maiores contradições do MEC, uma vez que vem sendo exigido, nas avaliações de curso de ensino superior, um minimo e não um máximo de docentes com regime de dedicação exclusiva. Ou seja, exatamente o oposto. Mas creio que já não nos espanta tanta incongruência de nossos dirigentes, o que é pernicioso, porque nos deixa inoperantes diante desse atropelo todo reformista, que acabará dando no fundo do poço ou num túnel sem saída. A única certeza é que cada vez temos menos tranquilidade para trabalhar, sem a preocupação de nos vermos encurralados, inesperadamente, em tramas burocráticas mirabolantes que só aparecem para cercear nossos direitos há tanto tempo adquiridos, mas quase nunca respeitados. E por falar em tramas burocráticas... a proposta de controle da DE, com os docentes requerendo a renovação semestralmente, já tropeça, de antemão, com a lerdeza administrativa de nossas IFES. Com que antecedência teremos que solicitar a renovação? De que forma será feita? Porque, se a cada semestre a requisição virar processo, aí não haverá mesmo garantia de que receberemos a DE em dia, sem interrupções.
Luiz Eduardo
terça-feira, maio 26 2009 - 01:31
Ruindo o conceito de DE ou... o de Isonomia ?
Os salários das fundações, esse "por fora", me parece que é apenas um pretexto. Tem coronel da PM, da ativa, que faz bico no sambódromo, trabalhando para bicheiros, e nem por isso emergem idéias para corroer o salário integral do Coronel. Se a DE fosse não a regra, mas a exceção, ou seja, se DE não fosse a situação da quase totalidade dos professores, mas a situação de apenas uns 20% do quadro, tudo bem que se olhasse a DE por esse angulo, como se fosse um "extra" que não caberia igualmente a todos. Mas a DE, em verdade, é parte do proprio salário. Esse movimento, de retirada da DE, embora tenha um sentido de justiça, ele, esse movimento, parece parte de um movimento mais amplo, profundo e não declarado. Por exemplo... mais a frente... poderá ser estabelecido que cada unidade tenha no máximo 30% de seus professores em regime de DE. Em suma, isso não pode ser visto isoladamente, fora do conjunto de ações que estão incidindo através de uma REFORMA UNIVERSITÁRIA ACELERADA... que está transcorrendo sob nossos olhos, sem estar verdadeiramente declarada.
5 registros total(ais)        
Adicionar Novo Comentário
Seu nome  
Assunto  
Conteúdo:  

10001000101010101100110011001100110011001010000011000000111111111010000011000000111100001010000010100000100010001000100010101010
blogsobre o bloglinksartigos 2007 a 2010fotoblogbudfale conosco