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domingo, maio 10 2009 - 08:56
ANDES-SN versus PROIFES*
A guerra entre o tradicional ANDES-SN e o Novato PROIFES continua ocorrendo em várias frentes: desde a permanente disputa eleitoral nas seções sindicais, como será o caso das eleições nos dias 20-21 de Maio, na Associação de Docentes da Universidade Federal do Ceará; à batalha jurídica pelo reconhecimento oficial como legítimo representante dos docentes, como foi o caso da audiência do dia 7 de Maio, na 16ª Vara do Trabalho em Brasília, DF, à qual só puderam estar presentes os advogados das partes.
Em Dezembro de 2003, o Ministério do Trabalho suspendeu o registro sindical do ANDES, coincidentemente, em 2004 é fundado o PROIFES com integrantes de oposição à linha do ANDES e mais identificados com as posições governistas. Em dezembro de 2008 o PROIFES reunido na sede da CUT, em São Paulo, formalizou a criação de um Sindicato para os Professores das Instituições Federais de Ensino Superior. Esta assembléia foi contestada judicialmente e politicamente pelo ANDES, pois, no edital de convocação não estava previsto o voto por procuração, nem as instruções sobre o credenciamento de delegados, o que acabou causando um grande tumulto no dia de sua realização.
No plano estritamente jurídico o ANDES entrou com um processo na justiça do trabalho pedindo o indeferimento do processo de reconhecimento do sindicato PROIFES. A última audiência na Vara do Trabalho (mencionada acima) terminou com um novo imbróglio. A advogada do ANDES teria proposto um hipotético acordo na base da pluralidade sindical, assim conviveriam ANDES e PROIFES. É uma proposta estapafúrdia em virtude da legislação trabalhista vigente determinar a unicidade sindical. Enquanto os dirigentes do PROIFES divulgavam uma nota na qual se dispunham a avaliar a proposta, a diretoria do ANDES, em outra nota, negava qualquer interesse nesta proposta, embora em tese defenda a pluralidade sindical.
Enquanto os dirigentes sindicais se empenham em uma feroz disputa pelo direito à representação dos docentes das universidades federais, o Ministério da Educação edita uma medida, após outra, com alterações essenciais à vida universitária, sem encontrar nenhuma interlocução efetiva por parte dos professores. A polêmica do REUNI foi travada entre estudantes (sem a UNE) e Reitorias, tendo o PROIFES se omitido de expressar abertamente qualquer opinião sobre o projeto. O ANDES, embora, com posição contrária, não teve a capacidade de mobilizar os docentes (que em sua maioria tem restrições ao REUNI) de modo a alterar as votações nos Conselhos Superiores das Universidades. O mesmo se dá com a questão do vestibular único, ou Novo ENEM, segundo a terminologia de Brasília. A UNE e UBES se manifestam timidamente, o PROIFES mantém-se em silêncio e o ANDES tardiamente divulga uma nota crítica no dia 8 de Maio.
Infelizmente no Brasil tem sido inevitável a partidarização dos sindicatos e centrais sindicais, levando à lutas intestinas de vida ou morte, pois o sindicato passa a fazer parte do projeto de poder desta ou daquela corrente político partidária, tornando impossível a ação conjunta em benefício da categoria e da nação. As conseqüências para a carreira docente e a educação superior da ingerência do governo e do partidarismo nas entidades de representação docente tem sido as piores possíveis. A desestruturação da representatividade docente pode ser uma vantagem para alguns, mas representa um enorme prejuízo para a potencialidade e a contribuição da classe docente ao desenvolvimento do país.
*Luis Paulo Vieira Braga
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