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observatório da universidade ANO VI
Unificação do Vestibular e Pluralidade
sábado, maio 02 2009 - 07:24

Unificação do vestibular e pluralidade

Professora Elisa Anhaia

Na condição de Professora do idioma espanhol, demonstro preocupação com as recentes notícias veiculadas em órgãos de imprensa referente à criação de uma prova unificada como forma de ingresso nas Universidades Federais, tendo em vista que estará desconsiderando peculiaridades regionais e não resultará em melhora do ensino no país. Além disso,essa medida está sendo imposta e lançada à sociedade de forma abrupta. Para que realmente se tenha uma mudança eficaz necessita-se diálogo com todos os setores educacionais e, principalmente, estudo não somente do projeto a ser realizado, mas também das consequências que ele poderá trazer às pessoas envolvidas.

No que diz respeito à prova de língua estrangeira moderna há inclinação no sentido de ser adotado apenas a língua inglesa, excluindo, assim, a opção que até hoje vigora nas Universidades Federais no Rio Grande do Sul e em outros Estados : a língua espanhola.

Tal medida se configura como injusta, antidemocrática, restritiva e contrária à universalidade do conhecimento. Devemos ter presente o fato de que no ensino médio há muitas escolas que adotam o idioma espanhol como primeira opção. Além disso, a cada ano , mais estudantes optam pela língua em questão na prova do Concurso para ingresso na Universidade. Portanto, seja pelo Vestibular,seja pelo Enem , a pluralidade deve ter sua importância reconhecida.

Outro fato a ser analisado é que, recentemente, através da Lei 11.161 sancionada pelo Exmo. Sr. Presidente Lula, o espanhol foi considerado como o segundo idioma estrangeiro no Brasil e todas as escolas de Ensino Médio deverão oferecê-lo a seus alunos a partir de 2010. Inclusive, é de ser levantada a seguinte questão: O espanhol se tornará obrigatório no ensino médio, nossos alunos estudarão os três anos da língua em questão e, depois, para ingressarem na Faculdade terão de fazer a prova em inglês? - Onde está a coerência? restaria unicamente o esquecimento de tal lei.

Certamente, a manutenção da opção pelo idioma se caracteriza como mais democrática, menos elitista e respeitadora de princípios que norteiam a educação, tais como: igualdade de condições,igualdade de aprendizado, e pluralismo de idéias.

Por fim, é de salientar que no ano de 2002, no Estado do Rio Grande do Sul, ocorreu uma grande mobilização de alunos e Professores no tocante a manutenção da pluralidade na prova de língua estrangeira moderna , quando a UFRGS tentou implantar o idioma único no curso de Medicina, inclusive com o ajuizamento de Ação Civil Pública pelo Ministério Publico Federal, bem como a impetração de vários mandados de segurança perante a Justiça Federal, que acabaram sendo decididos de forma unânime pelas Turmas do E. Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, pela manutenção da pluralidade do idioma.

Em razão dos fatos acima descritos, penso que se for decidido pela Unificação do Vestibular, seja ao menos respeitada a escolha pelo idioma que mais se adequar à realidade de cada estudante.

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Maria Aparecida da Silva - Letras UFRJ
segunda-feira, maio 04 2009 - 05:00
Amigos ursos
Bem, o espanhol pode parecer uma língua "mais fácil", mas não é isso o que se vê na prática. Os alunos que cursam minha disciplina em Português-Literaturas têm muita dificuldade para entender o mais óbvio deste idioma, o que me fez formar uma biblioteca paralela com o máximo possível de títulos traduzidos, algo mais fácil no que se refere a obras contemporâneas, mas quase impossível em relação a textos da época colonial até o século XIX. O inglês, por outro lado, apresenta um histórico de difusão mais longo em nossa cultura, tendo se tornado praticamente um idioma de convívio diário, através de filmes, músicas, jogos, do computador e da Internet. Acho que aqueles que optam por esta língua instrumental levam, até certo ponto, vantagem.
Adolfo Neto
segunda-feira, maio 04 2009 - 03:10
Inglês *E* Espanhol
A solução ideal, em minha opinião, é que a prova do novo ENEM contemple Inglês e Espanhol como obrigatórias. Afinal de contas, quase todos os nossos (países) vizinhos falam espanhol. E a língua mundial de fato é o inglês. Nada mais coerente que cobrar as duas. E é mais justo, pois como comparar a nota de um candidato que fez prova de inglês com a de outro que fez de espanhol?
Maria Aparecida da Silva - Letras UFRJ
domingo, maio 03 2009 - 08:02
Imposições
O pior é que, sendo o novo modelo do ENEM implantado ainda este ano, não haverá prova de língua instrumental. Que Filosofia e Sociologia ficassem de fora, seria até compreensível, uma vez que são áreas recém instituídas nas grades curriculares do ensino médio e no vestibular, mas isentar os candidatos de prova de língua estrangeira me parece um grande retrocesso. A não ser que a justificativa fosse a necessidade de opção entre o inglês e o espanhol, com dificuldade para formulação da prova referente a este último idioma no prazo estipulado. Mesmo assim a prova de inglês poderia ser mantida até a próxima edição do exame. A falta de tempo para elaboração dessas provas foi divulgada como motivo de sua eliminação do ENEM 2009, mas nada se falou sobre a questão da escolha do idioma instrumental neste processo seletivo. Não nas matérias que li até o momento. O MEC limitou-se a comentar que as instituições de ensino superior deverão decidir se aceitam aderir ao novo modelo, já este ano, sob essas condições. A questão é: ou se adota o novo modelo completo, ou se espera até que esteja finalmente pronto. Essa mania do "jeitinho" está se tornando insustentável e insuportável.
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