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segunda-feira, abril 20 2009 - 07:34
Da luta de classes ao recalque de classe e raça*
Não há nenhum mérito especial, por parte de um adolescente que tudo tem (carro, mesada, academia de ginástica, diversão, cursa idiomas, cursinho e professores particulares), ou seja, um supercandidato, passar no vestibular.
Deputado Carlos Giannazi, PSOL, na justificativa encaminhada anexa ao seu projeto de cotas sociais e raciais nas universidades estaduais paulistas (ver a íntegra do projeto no Boletim de Utilidade Docente número 18 – BUD18, no link BUD deste BLOG)
O projeto do deputado paulista é semelhante àquele que foi aprovado em tumultuada votação na Câmara dos Deputados em Brasília ao final do ano passado. Assim como o projeto para as Universidades Federais deve ainda tramitar pelos tortuosos e escorregadios meandros parlamentares (o projeto federal voltou ao Senado e o estadual foi para a Comissão de Constituição e Justiça). Ambos reservam metade das vagas para alunos oriundos do sistema público de ensino e cotas raciais em proporções equivalentes às observadas nas respectivas regiões aonde se encontram as universidades públicas.
O deputado Giannazi tem sido um parlamentar muito ativo nos temas da educação pública, tendo exercido a profissão de professor tanto no magistério básico (foi diretor de escola pública), como no ensino superior (foi professor na Universidade de Santo Amaro e pós-graduou-se pela USP). Entretanto, parece ter sido acometido pela síndrome do revolucionário de Orwell(1), sendo movido mais pelo ódio aos beneficiários do regime do que pela racionalidade crítica ao regime que gera os beneficiários.
A solução engendrada pelos cotistas é simples, se o regime exclui negros, pardos, índios e pobres da universidade, vamos colocá-los lá e tudo estará resolvido. Além disso, por pura pirraça, vamos reduzir as oportunidades dos brancos e remediados, dando aos excluídos o gosto da vingança. Ou não é isso o que se depreende da passagem acima, destacada da justificativa do excelentíssimo deputado ?
Reduzir o esforço de milhares de jovens da classe média que lograram passar em exames difíceis a mérito nenhum é oferecer às massas o desdém como compensação pelos direitos básicos que lhes foram negados. Mas de concreto, para variar, as cotas representam pouco mais do que a liberdade de atravessar o deserto. Não é o carro, nem o cursinho de idioma que garante a sobrevivência na vida universitária. Custear estudos universitários com qualidade mínima exige uma soma de recursos que nem o governo federal, nem o governo paulista têm. Não revelar isto à massa de jovens que está tendo diante de si abertos os portões da universidade, como limiar de uma nova e próspera vida, é um dos maiores estelionatos políticos já cometidos neste país, depois dos planos cruzado e Collor. Mas o ovo da serpente já foi cuidadosamente colocado. Quando tudo der errado, já se sabe quem serão os culpados – os filhinhos de papai...
(1) Refiro-me à obra A Revolução dos Bichos de George Orwell.
*Luis Paulo Vieira Braga
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