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observatório da universidade ANO VI
Frutas e verduras : a dieta do câncer
quarta-feira, abril 01 2009 - 10:41

Frutas e verduras: a dieta do câncer*

José Júlio da Ponte**

A FAO tem proclamado em seus boletins de saúde: “O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e, também, o terceiro do ranking em mortalidade por câncer”.

Até os anos 60, o câncer era uma doença de escassa frequência em nosso País, com cerca de 2% de óbitos. Todavia, a partir dos anos 90, sua incidência há crescido de foma vertiginosa, em mais de 5.000%. Causa e efeito, justo em um período de dez anos (1976 a 1985), crescia em mais de 600% o consumo de agrotóxicos em nossas lavouras. O crescimento destes - implicado em hortaliças, frutas e gêneros alimentícios envenenados - demandou uma preocupante assiduidade da enfermidade.


Câncer e agrovenenos são números ainda crescentes, em alarmante paralelismo. Ignorantes ou indiferentes a essa assertiva, médicos e nutricionistas - estes por excelência - continuam a prescrever dietas à base de frutas e hortaliças. Tudo bem que o façam, desde que advertissem para o consumo de vegetais saudáveis, oriundos de agricultura orgânica. Lavar frutas e verduras envenenadas em vinagre ou água corrente corrente carece de qualquer validade, eis que os modernos agrotóxicos são sistêmicos, incorporam-se à seiva da planta. O fato é que, em quase todas as famílias, chora-se a perda de um ou mais entes queridos, vitimados pelo câncer.


Curioso é que, amiúde, o governo enceta campanha contra o álcool e o tabagismo, mas nunca contra os agrotóxicos, embora estes vitimem gradativamente a quase totalidade da população, enquanto o álcool e o fumo resumem-se a menos de 15%. Ocorre que as multinacionais os agrovenenos são poderosíssimas. Tomate, batata, repolho e folhosas em geral, trigo, morango, uva, citros, melão, soja, maçã, pêra e mamão alinham-se entre as culturas mais identificadas com agrotóxicos. Inaceitável que pesquisadores e agrônomos, vinculados a instituições governamentais (Universidades, Embrapa, Emater, etc.) continuem a pesquisar e recomendar agrotóxicos. Por quê? Só sei que, em represália à minha luta contra tais venenos, cassaram-me a bolsa do CNPq que eu detinha há 20 anos. Igual destino teve a minha bolsa da FUNCAP.


* Publicado no Jornal O POVO , de 28 de março de 2009, página 6.

http://www.opovo.com.br/

**Professor-emérito da UFC, presidente da Academia Cearense de Ciência

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