Produtivos ou querelantes ?*
Os professores das instituições públicas de ensino superior (IPES), estaduais ou federais, parecem ter apenas duas alternativas para garantir ou reajustar os seus vencimentos - maior produtividade ou ações judiciais. Recentemente as universidades estaduais paulistas anunciaram a introdução do fator produtividade na remuneração. Com regras distintas a USP e a UNESP pretendem, desta forma, incentivar os docentes dedicados e castigar os improdutivos. A sistemática é típica da ética financeira que, na ausência de autoridade moral, tenta moldar o comportamento pelo sistema da recompensa monetária. O processo é recursivo, seus efeitos operacionais iniciais perdem-se à medida que a inflação corrói os salários e ao cabo de algum tempo novos incentivos precisam ser criados. Na outra ponta da corda alinham-se os processos judiciais que devido à sua heterogeneidade e instanciamento resultam em vencimentos diferenciados por grupo de querelantes. Esta via é ainda sujeita ao rito imprevisível da justiça brasileira, num dia dorme-se com liminar, no outro acorda-se sem ela.
A expressão maior da fraqueza atual da categoria docente das IPES é o embate entre os seus assumidos dirigentes, entrincheirados, respectivamente, no ANDES e no PROIFES. Situados em posições distintas no espectro ideológico e partidário, as duas agremiações empenham-se em uma luta de vida ou morte, consumindo boa parte de suas energias na eliminação do adversário. Insatisfeitos com os rumos que o ANDES tomou e descrentes da possibilidade de alterá-los, um grupo de professores criou o PROIFES e buscou no governo federal e na CUT o patrocínio para a criação de outra entidade representativa. Contrariando as intenções iniciais que apontavam para a opção por uma federação de sindicatos, o PROIFES decidiu replicar o ANDES, criando um outro sindicato nacional. O modus operandi para alcançar esta meta não poderia ter sido pior - Assembléias Gerais protegidas por seguranças e votos por procuração. Desta maneira foi criado o sindicato nacional na sede da CUT e, mais recentemente, a constituição de uma seção sindical na UFRGS.
Justificando os meios em função dos fins, em detrimento de uma ética de princípios, a política se identifica cada vez mais ao fisiologismo. Esta opção pela via biológica, entretanto, se adapta mais aos seres minúsculos, pois até os animais têm no instinto de preservação a garantia da sobrevivência, o que não parece ser o caso do movimento sindical docente.
* postado por Luis Paulo Vieira Braga