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terça-feira, novembro 04 2008 - 11:35
RESTAURANTES, LABORATÓRIOS E A ESCOLA DE QUÍMICA DA UFRJ
Prof. Abraham Zakon
O crescimento admirável da Escola de Química é a grande questão que nos envolve. A substituição de um restaurante por um laboratório de graduação vai gerar um benefício e criar um vácuo operacional que atinge nossa comunidade, além de postergar outras demandas.
A expansão vertical do Bloco E do Centro de Tecnologia é a nossa grande demanda. Precisamos de um laboratório de Engenharia de Alimentos com o tamanho e equipamentos adequados, salas de aulas, gabinetes de professores, possibilitar a oferta de um novo curso (de 5 anos) e o Departamento pertinente para a Engenharia de Gestão Tecnológica Química. (Veja a figura )
A Reitoria da UFRJ, o MEC e a Presidência da República conhecem a excelência do ensino e pesquisas executados por docentes da Escola de Química (ex.: a tecnologia desenvolvida, patenteada e industrializada para óleo biodiesel) e podem apoiar essa expansão, que trará bons resultados para o país.
Os problemas que enfrentamos exigem a apresentação de reflexões construtivas e essa é a missão do Observatório da Universidade e do presente debate. O desafio consiste em apresentar soluções a favor de todos. Nosso esforço prossegue abaixo.
RESPOSTA A JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA.
1º - Muitas pessoas do nosso ambiente de trabalho, por motivos diversos, não tem condições de esperar a construção de praças de alimentação. As pessoas (docentes, funcionários, alunos e visitantes) que serão deslocadas do Bloco E irão engrossar outras filas e perderão tempo de suas atividades (acadêmicas) e esse problema pode ser evitado.
2º - Essas pessoas consomem mais de 300 refeições servidas diariamente e outras 200 quentinhas vendidas no balcão do Bar e Restaurante Centro Universitário. Provavelmente, são mais de 1000 pessoas por semestre ou ano, pois, às vezes, algumas tem compromissos externos. É possível que mais de 20.000 (vinte mil) pessoas tenham utilizado seus serviços em quase 20 anos. Por que criar um problema coletivo maior?
3º - Os restaurantes particulares e “trailers” surgiram quando a UFRJ desativou e demoliu os “bandejões”. Milhares de estudantes freqüentaram os restaurantes universitários da Praia Vermelha (Medicina e Pentágono) e na Ilha do Fundão (CCMN, Medicina e Arquitetura) cujo atendimento era satisfatório para os padrões da época. Na década de 70, várias pessoas traziam marmitas ou iam almoçar nas vizinhanças da Ilha do Fundão.
4º - Desde a década passada de 90, os laboratórios de ensino de graduação sofreram perdas consideráveis de recursos e espaços porque foram reduzidas as verbas orçamentárias anuais. Além disso, por orientação governamental (em várias gestões) houve a redistribuição de antigas e novas instalações para grupos de pesquisa científica e tecnológica. Os currículos de graduação tiveram reduzidas suas cargas de aulas experimentais antes da criação do Curso de Engenharia de Alimentos.
5º - Todos os restaurantes e “trailers” pagam aluguéis e são fiscalizados por autoridades sanitárias e universitárias. O julgamento dos valores e formas dos consumos de gás, água e luz é da competência das atuais autoridades universitárias, que foram eleitas por nós para tal.
6º - V.Sa. declara-se favorável à decisão da PR3 sem informar a sua vinculação acadêmica à discussão dos restaurantes e se esse problema lhe afeta diretamente. Poderia revelar-nos sua condição profissional e local de atuação na UFRJ, onde se alimenta?
7º - Caso exista um projeto de construção de várias praças de alimentação, então, pode-se entender que existem recursos financeiros.
8º -A construção de um novo pavimento no Bloco E possibilitará remanejar algumas salas de aulas do térreo para cima e gerar o espaço laboratorial demandado para o Laboratório de Engenharia de Alimentos no mesmo ambiente dos demais congêneres do Departamento de Engenharia Bioquímica (DEB).
9º - Será possível, ainda, alocar gabinetes apropriados para o Vice-Diretor e Diretores Adjuntos, novos docentes dos Departamentos, além de novas salas de aulas (hoje insuficientes) e novos laboratórios de informática. Também, seria possível criar um inovador Departamento de Gestão Tecnológica Química para expandir o ensino de graduação (e que não necessita de laboratórios de processos com operações unitárias ou reatores químicos).
10º - Essas demandas são conhecidas por parte da comunidade acadêmica afetada, portanto, é importante relembrá-las aos gestores da UFRJ.
RESPOSTA AOS ALUNOS DE GRADUAÇÃO GUSTAVO JORGE E FÁBIO MARTINS
A – O aluno que afirma que um docente qualificado (experiente e conhecedor dos problemas que dizem respeito à gestão universitária, e, em particular, os inerentes à Escola de Química da UFRJ) apresenta uma “análise superficial dos fatos”, corre o risco de dizer sandices. Protestos de estudantes fazem parte do contexto das universidades. Por exemplo, estudantes franceses grafitaram em muros de Paris em 1968 a seguinte frase: “as paredes tem ouvidos, teus ouvidos tem paredes”.
B - Qualquer aluno de graduação de Engenharia de Alimentos poderá dizer que não importa a questão da alimentação de alguns docentes e funcionários do CT, porque tem muita gente morrendo de fome no mundo...
C - Qualquer aluno de graduação tem o direito de apresentar argumentos a favor exclusivamente de suas demandas e ignorar os problemas das pessoas que trabalham aqui, e que irão permanecer aqui depois de sua formatura. Porém, as necessidades da comunidade acadêmica superam as suas necessidades individuais.
D - Qualquer aluno de curso novo de graduação tem o direito de pleitear a construção de um laboratório em locais que são úteis para outras pessoas e dizer que protesta porque está sendo prejudicado...
E - Qualquer aluno de graduação tem o direito de desprezar qualquer outra hipótese que imagine um benefício coletivo e institucional maior, porque tem o direito de errar, aprender e amadurecer através dos debates, mesmo que isso dure muitos anos ou décadas.
F - Qualquer aluno de graduação de Engenharia de Alimentos tem o direito de dizer que ninguém pode elogiar a comida do restaurante do Bloco E. Porém, se a comida e o atendimento do Bar e Restaurante Centro Universitário fossem ruins, as pessoas não retornariam a estes lugares para se alimentarem.
G- Nenhuma autoridade universitária sensata vai substituir um espaço representativo estudantil por um laboratório. O espaço do Diretório Acadêmico era um vestiário masculino que foi convertido em local para os estudantes exercerem suas atividades de representação e lazer, além de possuir uma sala de estudos. Os banheiros ali construídos resultaram da iniciativa de uma Presidente do DAEQ sensibilizada com as dificuldades dos seus colegas usarem banheiros dentro e fora da Escola de Química. Os diretórios acadêmicos são formadores de novas lideranças humanas e esse investimento é valioso a toda a Sociedade.
RESPOSTA PARA CARLOS GOMES
I – Comer quentinhas é uma questão de opção financeira das pessoas. Quais são as quentinhas consumidas a que V.Sa. se refere?
II – V.Sa. afirma que há insetos no Bar e no Restaurante Centro Universitário, mas não informa que apresentou queixa às autoridades sanitárias ou universitárias na ocasião. Seu manifesto revela-se um ato de má-fé, que questiona indiretamente a atuação das autoridades.
III – Será que todos os restaurantes, residências domésticas e ambientes de trabalho – inclusive nossos laboratórios - estão imunes a insetos e roedores?
IV – V.Sa. poderia revelar-nos sua condição profissional e local de atuação na UFRJ. Poderia nos informar também qual o local onde se alimenta?
FÁBIO MARTINS: POR QUE “QUASE CRIMINOSO”?
Todos os cursos de graduação da Escola de Química em atividade na Ilha da Cidade Universitária encontraram dificuldades ou impedimentos para lecionar atividades laboratoriais. Eis uma revisão cronológica resumida de parte dos acontecimentos:
1973 – Os quatro Departamentos atuais da EQ-UFRJ foram transferidos para da Praia Vermelha para os Bloco E e I do Centro de Tecnologia e foi desativado o curso de Química Industrial.
1974 – O Departamento de Engenharia Bioquímica oferecia aulas experimentais em seus laboratórios, porque o seu mentor, que foi Ministro da Educação na década de 60, dirigiu, em seguida, a Sub-Reitoria de Desenvolvimento, que equivale à PR3, e apoiou os trabalhos de seus discípulos para sua implantação.
1975 a 1978 – Foram reinstalados diversos equipamentos e o Laboratório do Departamento de Engenharia Química – LADEQ foi inaugurado para uso didático e de pesquisas, que ainda comporta algumas unidades em escala piloto.
1980 – A “Comissão para Equacionar os Problemas da Escola de Química”, presidida pelo Presidente da Associação dos Ex-Alunos, destacava no seu 1º Documento “a falta de laboratórios e salas de aulas” e “problemas de alimentação e transporte na área do Centro de Tecnologia”.
1981 – A Chefia do DPI encontrou dificuldades de obtenção dos recursos laboratoriais para ministrar aulas experimentais para todos os alunos de graduação de Engenharia Química e a questão foi discutida e aprovada em reunião de Corpo Deliberativo com a presença do Presidente do DAEQ. Em 1982, os alunos de Processos Unitários Inorgânicos I puderam optar entre aulas práticas, trabalhos de projeto de processos e visitas técnicas em indústrias.
1986-1989 – Houve a ampliação dos Laboratórios do DPI e DPO e as aulas experimentais de graduação foram beneficiadas.
1996 a 1997 – Foi reativado o curso de Química Industrial. Foram executadas obras de construção do Complexo I-2000 que interditaram as aulas de Tecnologia Inorgânica Experimental no Laboratório do Sub-Solo, reiniciadas em agosto de 1997 no conjunto I-124.
1998 – Em julho foi criada a Comissão Permanente de Espaço Físico da EQ-UFRJ. A sala de aulas I-221 (que já fora ocupada pelo DAEQ, antes da passagem para as atuais instalações) foi convertida em laboratório de pesquisas para um grupo de docentes do DEQ e DPO. O mesmo grupo de docentes ocupou, depois, o espaço externo ao Bloco I pertencente ao DPI com uma edificação para pesquisas financiadas pela Petrobrás (Laboratórios de Detecção de Vazamentos e de Simulação de Hidrorrefino). Ao seu lado e geminado, situa-se o LABCOM ocupado por docentes do DPO no espaço original do Departamento, completando o denominado Bloco K do Centro de Tecnologia.
2001 – Ocorreu um incêndio no LADEQ, que interrompeu diversas aulas experimentais de graduação; sua reinauguração progressiva ocorreu desde 2003.
2003 – Inauguração e início das atividades práticas do Laboratório Multidisciplinar Interdepartamental, que sofreu, posteriormente, furtos de equipamentos e inundações.
2004 – Início dos cursos de Engenharia de Alimentos e de Engenharia de Bioprocessos. Reinício pleno das atividades didáticas do LADEQ que é um modelo de reengenharia para os seus vizinhos da Escola de Química, em particular o DPI e DPO.
Ora, a Escola de Química suportou várias dificuldades laboratoriais temporárias! Em 35 anos na Ilha do Fundão, jamais houve ameaça do MEC para descredenciar seus cursos de graduação, porque o mínimo que oferecemos é sempre melhor do que a oferta de várias outras instituições. Nossa integridade institucional é conhecida.
Quem estudou Engenharia de Alimentos (ou conhece a FEA-UNICAMP) sabe que um bom laboratório deverá incluir equipamentos em escala piloto, que ocupem uma área plana compatível com a do LADEQ. Porém, o volume do restaurante do Bloco E é muito menor que o do LADEQ... Então, a demanda atual apresenta-se como um improviso.
Por que tanta ansiedade em construir um novo Laboratório num espaço reduzido de um restaurante? Por que separar fisicamente o pretendido Laboratório de Engenharia de Alimentos dos demais administrados pelo DEB no mesmo corredor do Bloco E?
Se o MEC impôs essa construção, qual foi o prazo concedido para tal implementação?
Conclusões:
1ª – Existem recursos financeiros para construir novos ambientes de trabalho na UFRJ.
2ª - Existem diversas empresas interessadas em desenvolver projetos com os professores e alunos nesse novo Laboratório. Então, é possível pleitear soluções de maior envergadura.
3ª - A Escola de Química goza de muito prestígio na UFRJ e pode almejar a realização de um projeto de expansão física no Bloco E. Duas Pró-Reitorias da UFRJ são dirigidas por 4 (quatro) ilustres ex-alunos, sendo que 3 (três) são seus docentes em atividade. O Presidente da República condecorou um dos nossos docentes pelo desenvolvimento da tecnologia de óleo biodiesel, demonstrando a nossa relevância no cenário acadêmico.
4ª – Nós ainda somos a Escola Nacional de Química da Universidade do Brasil e vários dos seus ex-alunos ocupam cargos relevantes no país. É nos momentos das dificuldades coletivas e das decisões difíceis que as pessoas revelam a grandeza de caráter e respeito a opiniões divergentes. Hoje, precisamos de atitudes e soluções magnânimas.
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