blog
sobre o blog
links
artigos 2007+2008
fotoblog
bud
fale conosco
observatório da universidade ANO IV
Comparação de pesquisas eleitorais com resultados efetivos
quinta-feira, outubro 23 2008 - 12:57

Comparações de pesquisas eleitorais com resultados efetivos

José F. de Carvalho

Estatístico

Resumo

De longa data, estatísticos vêm avisando que as margens de erro de pesquisas eleitorais não tem base.

Os esquemas de amostragem usados não se prestam ao emprego de fórmulas simplórias, usadas para amostragem aleatória simples ou para amostragem estratificada. As pesquisas devem ser registradas nos TRE's. Minha pergunta: para que? De que adianta? Quem, num TRE, pode julgar a técnica estatística utilizada? Deste jeito, o que me parece é que o registro dá uma chancela de seriedade a algo que está, fundamentalmente, em erro.

O material que segue consiste de resultados (proporção de votos) de candidatos a prefeitos em 79 municípios. Os dados foram obtidos de tabela publicada pela Folha de São Paulo, imediatamente antes da eleição, e de resultados dos pleitos, publicados pelos TRE's após as apurações.

Algumas cidades da lista da FSP não foram incluídas, pois a lista dava apenas os dois primeiros colocados e ocorreu que um – ou ambos desses – desceram aquém da segunda posição. No final, tivemos resultados para 79 municípios.

Para cada candidato, colocados nos dois primeiros lugares, conforme a tabela de resultados de pesquisas, foi calculada a diferença entre as proporções preditas pelas pesquisas e os resultados efetivamente obtidos. Segue uma simples análise da distribuição das diferenças. Como se propala margens de erro de 3%, calculamos os números de pontos fora, para mais e para menos, dessa margem.

Se as pesquisas estão na confiança estatística usual de 95% (não declarada), é de se esperar que –aproximadamente – apenas 5% dêem diferenças além dos 3%. Mas não é que se vê.

No histograma estão marcados os limites de-3% e +3%, em azul. Vê-se que a maior parte dos pontos está fora dessa margem. Numericamente,65% dos pontos estão abaixo de -3% e 4% estão acima de +3%.


Isto é, esta simples verificação mostra que 70% das predições estão fora das margens de erro.

Não surpreende: já sabemos, desde muito tempo, que os procedimentos de amostragem utilizados não são respeitados, quando se calculam as margens de erro. Na verdade, usam-se expressões de amostragem aleatória simples, o conhecido pq/n.

Um ponto de interesse técnico. Sabemos que os pontos usados não são independentes. Mas, como em cada pleito havia mais de dois candidatos e, ainda por cima, tomamos as diferenças para análise, não é de se esperar uma diminuição séria do tamanho efetivo nem introdução de tendenciosidades. Ademais, isto aqui não é um estudo "para valer", mas uma mera verificação rápida das promessas das pesquisas e de seus efetivos resultados.

A favor das pesquisas: como as diferenças de votação em geral são relativamente grandes, a taxa de acerto no primeiro colocado (posição) chega próximo a 90%. Ainda assim, cuidem-se os postulantes. Dez por cento não é para se desprezar. E, se a diferença for pequena – não de 3%, mas de 10%, 20%,cuidado!

Seguem algumas estatísticas descritivas da distribuição:

A média deveria ser nula (indicadora de não tendenciosidade estatística das pesquisas) e o desvio padrão cerca de 1.5, se as pesquisas realmente tivesse margem de erro de 3%. Os desvios dos valores desejados são muito acentuados.

A conclusão é óbvia, fica implícita. Mas sobra uma questão. Será que as empresas de pesquisa verificam a qualidade de seus produtos? Teriam a coragem de publicar uma lista como esta? Se as empresas não fazem, por que a autoridade eleitoral não avalia a qualidade?

<< Navegar para quinta-feira, 23 de outubro de 2008 Adicionar Novo Comentário
Monografias Global Online
sexta-feira, fevereiro 27 2009 - 03:30
Divulgação
Monografias Global Online é formada por Mestre e Doutores formados pelas melhores Universidades Públicas e especializada em auxiliar e orientar estudantes em seus trabalhos universitários.
luis paulo
segunda-feira, outubro 27 2008 - 12:14
2o turno
No Jornal O GLOBO de domingo, 26 de outubro, publicaram-se as pesquisas sobre intenção de votos em todas as cidades que vão ter segundo turno. Np caso das capitais, Belo Horizonte, Belem, Florianópolis, São Luis e Salvador apresentam uma disparidade de mais do que os convencionais 2% de erro para cima ou para baixo. Em Belo Horizonte o IBOPE previu 52% para Márcio Lacerda e ele obteve 59,12 % ! Em Florianópolis se deu o contrário, o Ibope previu 61% para Berger e ele obteve 57,68 % Em Salvador o Data Folha previu 55% para João Henrique e ele obteve 58,46 %. Já em São Luís o IBOPE previu 59% e ele obteve 55,84%. Em Belém a previsão para Costa feita pelo IBOPE foi de 57%, e a obtida 59,6 % . Mas foi em cidades menores que os erros se apresentaram mais evidentemente. Em Juiz de Fora e Santo André, as previsões de 45% para Margarida e Siraque, respectivamente foram desmentidos pelas urnas que deram a vitória a seus oponentes.
Luis Paulo
domingo, outubro 26 2008 - 11:23
2o turno
Confirmando as observações do estatístico José Carvalho, houve uma disparidade entre o erro previsto de 2% porcentuais pelos institutos de pesquisa e o erro observado em 5 das 11 capitais. Em Belo Horizonte, a disparidade foi tamanha, no caso de um dos instituos, que o próprio governador está exigindo explicações. Em cidades menores os erros foram maiores ainda, a ponto de errar o vencedor, como foi o caso de Santo André e Juiz de Fora. Tudo isso reforça a tese de que os modelos, se é que existem, empregados estão precisando ser muito aperfeiçoados.
3 registros total(ais)        
Adicionar Novo Comentário
Seu nome  
Assunto  
Conteúdo:  

10001000101010101100110011001100110011001010000011000000111111111010000011000000111100001010000010100000100010001000100010101010
blogsobre o bloglinksartigos 2007+2008fotoblogbudfale conosco