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observatório da universidade ANO VI
Kramer versus Kramer
quinta-feira, setembro 04 2008 - 10:33

Kramer versus Kramer1

Prof. Luis Paulo Vieira Braga(UFRJ)

No dia 6 de setembro, dia do cabelereiro e do barbeiro, os docentes reunidos no movimento PROIFES pretendem fazer a barba, cabelo e bigode do movimento sindical docente, fundando um sindicato nacional para os professores do ensino superior público federal (universidades federais)2 conforme consta na deliberação 4.1 do tema 4 do IV Encontro Nacional do PROIFES, realizado de 30 de julho a 1 de agosto do corrente ano. A deliberação é recente em relação ao objetivo até então manifestado de se criar uma federação de sindicatos em oposição ao ANDES que pretende ser um sindicato nacional de direito, e o é, de fato. A estranheza com a mudança de curso também foi manifestada no fórum virtual do PROIFES3. A proposta de uma federação de sindicatos, entretanto, reaparece na deliberação 4.3 do mesmo Tema 4 4 , aonde os afiliados do PROIFES são instados a criar sindicatos locais ! Afinal o que resolveu o IV Encontro Nacional do PROIFES ? Se os dirigentes do PROIFES engoliram a crítica que faziam ao ANDES por esse pretender ser um sindicato nacional, o que mais estarão dispostos a engolir ? E por que a escolha da cidade de São Paulo para sediar evento tão auspicioso ? Para fundar um sindicato nacional não seria mais natural escolher a capital do País, ou será que a República dos sonhos destes demiurgos é a República dos Sindicatos da qual São Paulo é a capital ?

Tal qual no filme de Robert Benton a maior vítima deste confronto não é nenhuma das partes, mas o imenso conjunto de docentes das instituições de ensino superior do Brasil, e em particular aqueles das universidades federais. A pulverização da representação docente já custou à categoria uma negociação salarial tortuosa e inconseqüente dada a instabilidade financeira do país. E está nos custando a implantação de um projeto de reforma da universidade pela via de um decreto presidencial, o REUNI. Os problemas decorrentes do aumento forçado de vagas e proliferação de novos cursos já se apresentam este ano, avolumando-se ainda mais para o próximo 5,6,7,confirmando uma das maiores críticas ao projeto – precarização do ensino. Para o Ministério da Educação, operador do REUNI, a criação de um sindicato alinhado com a política governista vem a calhar em um momento de tensões crescentes como o atual.

Do ponto de vista do PROIFES o momento é muito propício aos seus desígnios, a portaria do MTE de no 186/08 atribui ao Ministério do Trabalho, comandado por Lupi (PDT), a função de outorgar o registro sindical, o que nos faz ter saudades da República Velha (anterior à Nova de Vargas) aonde bastava um registro em cartório. Considerando que desde 2003 o ANDES perdeu o seu registro, está aberto o caminho para uma ação fulminante para tirá-lo da cena formal sindical. Restará ao ANDES unir-se aos 4.614 sindicatos (30% do total de sindicatos) que não têm registro, o que poderá representar um final melancólico, pois escorado na cláusula da unicidade sindical e no registro sindical (se conseguir) o PROIFES irá absorvendo uma a uma as antigas seções do rival.

Entretanto, há ainda outro fator de desestabilização do atual “sindicato” dos docentes de ensino superior – a sua baixa capacidade de mobilização, aliás característica idêntica de seu antípoda. A diferença é que o PROIFES é governista, apoiando-se nas máquinas partidárias e sindicais governistas, ou seja o PT, o PC do B (do Ministro da Educação) e a CUT. Já o ANDES apóia-se nos excluídos do poder, ou seja, o PSTU, o PSOL e o CONLUTAS. O complexo de exclusão é tão forte que os docentes se excluíram das atividades sindicais, as quais, diga-se de passagem, estão longe de serem prazeirosas para o homem comum e sadio.

Diante destas assustadoras condições um contingente significativo de professores, cuja aposentadoria vem sendo represada por sucessivas reformas da previdência, poderá em breve solicitar sua aposentadoria. Por outro lado, em que pesem as promessas de vagas, o processo artesanal de concursos públicos para docentes (porém muito conveniente ao apadrinhamento) não será ágil o suficiente para cobrir o déficit de professores. Portanto, o Ministro Haddad corre o risco de superar o seu mestre, João Sayad, um dos arquitetos do malfadado plano cruzado de José Sarney, que confundiu conseqüência com causa, sem deixar, entretanto, de se confundir com as datas das eleições.

1. Kramer contra Kramer é um filme estado-unidense de 1979, do gênero drama, baseado no romance homônimo de Avery Corman e dirigido por Robert Benton. Para Ted Kramer, o trabalho vem antes da família e Joanna, sua mulher, descontente com a situação, sai de casa, deixando Billy, o filho do casal, com o pai. Ted então tem que se preocupar com o menino, dividindo-se entre o trabalho, o cuidado com o filho e as tarefas domésticas. Quando consegue ajustar a estas novas responsabilidades, Joanna reaparece exigindo a guarda da criança. Ted porém se recusa e os dois vão para o tribunal lutar pela custódia de Billy. (fonte: Wikipedia)

2. Deliberação 4.1. Aprovar a proposta abaixo:

Realizar ampla consulta sobre a criação de Sindicato congregando a categoria dos professores do ensino superior público federal (Universidades Federais), em todo o território nacional, a ser analisada em Assembléia Geral a ser convocada para o dia 06 de setembro de 2008. (fonte:www.proifes.org.br)

3. Coloco em dúvida as consequências da deliberação 4.1, aprovada pelo VI Encontro Nacional do PROIFES, sobre a criação de um sindicato nacional único dos docentes das IFES. Todo o movimento docente das IFES deve ter compromisso firme com a democratização dos meios de decisão da categoria. O fortalecimento das entidades de base, com a criação de sindicatos regionais ou locais de docentes das IFES, deve anteceder a discussão de uma entidade nacional de representação. Entidades regionais ou locais são muito mais democráticas e mais representativas do que entidades nacionais. Preocupa-me e muito a forma de deliberação de um sindicato nacional de docentes, Antevejo problemas similares aos enfretados pelo ANDES, cujas decisões tomadas em assembléias são alvos de muitas críticas dos docentes das IFES. Sindicatos locais/regionais sempre estarão mais próximos de seus representados, dando maior legitimidade às sua deliberações.( comentário colocado por Marco Tulio Correa de Faria no fórum do PROIFES).

4. Deliberação 4.3. Aprovar a proposta abaixo:

Que o PROIFES e suas entidades filiadas envidem esforços no sentido de mobilizar os docentes das federais para criar Sindicatos Locais, e encaminhem as ações para a criação de uma federação nacional. (fonte:www.proifes.org.br)

5. Problemas com a implantação do REUNI são relatados em uma publicação intitulada o livro cinza do REUNI (fonte: http://livrocinza.wordpress.com/)

6. O conceito de professor equivalente vem impondo a substituição de professores substitutos por professores permanentes em regime de 40h, sem a DE.

7. A grade horária vem sendo modificada para comportar o aumento do número de turmas, no Centro de Tecnologia e no Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza da UFRJ o período diurno passou das 8-12h e 13-17h, para 7:30-11:30h e 12:30-18:30h.

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domingo, setembro 07 2008 - 08:00
novo sindicato é rechaçado pelo ANDES
Docentes rechaçam tentativa de constituição de sindicato da CUT/Proifes Em assembléia realizada no sábado (6/9), eles reafirmaram a legitimidade do ANDES-SN como o único sindicato dos docentes do ensino superior do país Por ELIZÂNGELA ARAÚJO e NAJLA PASSOS Fotos: NAJLA PASSOS ANDES-SN Impedidos de entrar na assembléia convocada pela CUT/Proifes para criação de um sindicato de professores das universidades federais, realizada neste sábado (6/9), na sede da CUT, em São Paulo, mais de 200 docentes contrários à criação da entidade reafirmaram a legitimidade do ANDES-SN como o único representante da categoria, em assembléia realizada na parte externa do prédio da central. Dentro do prédio da CUT, professores filiados ao Proifes aprovaram a criação de um “novo sindicato”com apenas 115 votos presenciais e 485 votos por procuração. Além de impedir os professores de participar da assembléia e expressar sua opinião, os dirigentes da CUT/Proifes também impediram a entrada dos jornalistas. Ao reafirmarem a legitimidade do ANDES-Sindicato Nacional, os professores rejeitaram, por unanimidade, a pretensa nova entidade. "Nos quase 30 anos de existência do ANDES-SN, sempre realizamos assembléias de portas abertas à participação de todos, inclusive da imprensa. Eles obstruíram a entrada de um número de professores pelo menos duas vezes superior ao que já estava lá dentro. Esse tipo de procedimento é absolutamente incompatível com o edital de convocação dessa assembléia, porque fere o direito de manifestação da categoria e, portanto, é irregular", ressaltou o presidente do ANDES-SN, Ciro Teixeira Correia, que, por ser professor de uma universidade estadual (USP), também foi impedido de entrar no local. Estratégias de obstrução O edital de convocação, publicado pelas entidades governistas há cerca de um mês, deixava claro que se trataria de uma assembléia exclusiva de professores das universidades federais, mas em nenhum momento explicou as regras de participação, menos ainda previu votos por procuração. No entanto, às 14h40 - vinte minutos antes do início da assembléia, os dirigentes da CUT informaram que dispunham de apenas duas pessoas para fazer o credenciamento dos 216 professores que se encontravam na porta da CUT e que se posicionavam contra a criação da pretensa entidade sindical. No rol da estratégia de obstrução, a CUT/Proifes impos aos docentes que pretendiam participar da AG para dizer não a constituição do tal sindicato uma série de impedimentos e constrangimentos pessoais. Submeteu os docentes a filmagem para entrarem no prédio e tentar o credenciamento, realizado mediante preenchimento de formulários, exigiu a comprovação da docência em IFES por meio de apresentação da identidade e contracheque, realizou revista dos professores e a apreensão de celulares, câmeras fotográficas, filmadoras e gravadores. Ou seja, o novo sindicato, além de dividir a categoria e enfraquecer o Movimento Docente, foi criado às escuras. A assembléia começou pontualmente às 15 horas, quando apenas cinco docentes ligados ao ANDES-SN haviam conseguido se credenciar. Exatamente sete minutos depois, os presentes já haviam votado e aprovado a criação do novo sindicato. Após 15 minutos, a assembléia já havia terminado. De acordo com o 1º vice-presidente do ANDES-SN, Antonio Lisboa, um dos que conseguiram entrar na assembléia, a mesa organizadora proibiu qualquer manifestação deles, que não tiveram sequer direito a fala ou informes. "Ninguém, além da mesa, fez uso da palavra; ninguém mostrou ou leu o conteúdo das procurações", acrescentou. Os professores impedidos de entrar representavam 36 seções sindicais do ANDES-SN de todas as regiões do país. Para reafirmar sua vontade de representação pelo Sindicato Nacional, todos assinaram a ata da assembléia realizada ao ar livre. O documento relata todos os atos de obstrução da CUT/Proifes contra a livre participação dos docentes. No final da tarde, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) prestou seu apoio ao Sindicato Nacional e pediu que o relato seja enviado ao seu gabinete. Ele se comprometeu a enviar o relatório ao Ministério do Trabalho e à CUT, pedindo esclarecimentos sobre o modo como a CUT/Proifes entraram constituir esse sindicato. Fundação do ANDES-SN resultou de amplo debate da categoria Os dirigentes do ANDES-SN deixaram claro sua posição contra a unicidade sindical, mas criticaram a forma arbitrária e autoritária com que a CUT/Proifes pretendem criar essa nova entidade. Ciro lembrou que "a constituição do ANDES-SN como o sindicato nacional de todos os professores das instituições de ensino superior do país resultou de amplo processo de discussão da base em todas as instituições de ensino superior". Ele ressaltou que a fundação do Sindicato Nacional se deu num congresso convocado e composto por delegações de todo o país, em local público e com amplo acesso da imprensa e de todos que pudessem testemunhar o evento. "O que aconteceu aqui hoje foi justamente o processo inverso. Querem criar um sindicato sem a participação da base que dizem representar. Esse procedimento é inaceitável e nós temos certeza de que a categoria saberá responder a essa provocação", afirmou. Apoios declarados Entre os professores impedidos de participar da assembléia, vários ex-dirigentes do Sindicato Nacional estavam presentes e manifestaram seu descontentamento com a forma ilegítima como a CUT/Proifes criaram o novo sindicato. "Esse procedimento que eles adotaram obstruiu, impossibilitou a nossa participação", afirmou Marina Barbosa, presidente da ADUFF - Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense. Roberto Leher, ex-presidente do ANDES-SN, lembrou que "a história do ANDES-SN se confunde com a construção da universidade pública brasileira. Ele lembrou que os docentes, desde a ditadura empresarial militar nos anos 60, organizaram associações justamente para defender a autonomia universitária. Leher também lembrou das lutas conjuntas com os demais servidores públicos para conquistar o direito à organização sindical, que veio com a Constituição de 88. "Após a promulgação da Constituição, levamos dois anos discutindo na base se iríamos criar o Sindicato Nacional, por meio de debates públicos e congressos". A estudante da USP, Camila Lisboa, representante da Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes - Conlute, também manifestou o apoio dos estudantes ao ANDES. "Esse sindicato significa muito para a defesa da educação pública, na luta contra o REUNI, contra projeto do governo federal para as universidades, que ataca não só as universidades, mas também o movimento estudantil, o movimento docente e o movimento dos trabalhadores técnico-administrativos. Acreditamos que a organização unitária dos professores, funcionários e estudantes fortalecerá não só a luta em defesa da autonomia da universidade, mas uma luta em defesa da autonomia do movimento sindical e do movimento estudantil. Por isso, colocamos toda a solidariedade e vigor que mostramos nas ocupações das reitorias à disposição do ANDES-SN, esse sindicato combativo que o movimento estudantil combativo reconhece como aliado para a luta em defesa da educação pública desse país". O presidente da Conlutas, José Maria de Almeida, também participou da assembléia realizada pelos docentes do ANDES-SN, manifestando seu apoio ao que considera “o único e legítimo sindicato nacional da categoria”. Ressentimento da CUT Ao final da assembléia-relâmpago, o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Felício, foi questionado pelos jornalistas sobre o motivo pelo qual não puderam fazer a cobertura da assembléia. O cutista deixou transparecer todo ressentimento pelo fato de o ANDES-SN ter se desfiliado da Central: "Se vocês saíram da CUT, o que querem aqui?". E na tentativa de justificar a forma antidemocrática como o novo sindicato foi criado, afirmou: "a CUT está agindo como sempre agiu". Cutistas apóiam ANDES-SN José Vitório Zago, 1° tesoureiro do ANDES-SN, lembrou que a ação da CUT/Proifes contra o Sindicato Nacional tem sido rechaçada até por entidades filiadas à central. "Entre as manifestações de apoio que recebemos na última semana, tivemos apoio de dois sindicatos cutistas, o SINTEPES, que integra o Fórum das Seis, e do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro. Ambos aprovaram moções de apoio a nós. Outra entidade filiada à CUT, a CONDSEF, registrou na ata da última reunião de sua diretoria executiva um protesto contra a perseguição que o ANDES vem sofrendo". Firmeza na luta A diretoria do Sindicato Nacional conclama sua base a fortalecer a luta em defesa da universidade pública e da carreira docente. "A iniciativa para criação desse sindicato, apesar de ser uma ameaça à unidade do movimento docente, não anula a representatividade do ANDES-SN. Nossa entidade continua firme e combativa, lutando pelo restabelecimento do seu registro sindical arbitrariamente suspenso pelo governo apoiado pela CUT. Sempre soubemos da represália que poderíamos sofrer ao permanecermos críticos e independentes do governo e ao nos desfiliarmos da CUT para construir um movimento verdadeiramente combativo, portanto, não nos sentimos abatidos, mas cada vez mais motivados à luta que temos defendido nos últimos 27 anos", afirmou Ciro Correia. Os rumos do Sindicato Nacional deverão ser discutidos no III Congresso Extraordinário, que será realizado este mês em Brasília, de 19 a 21 de setembro.
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sábado, setembro 06 2008 - 08:55
proifes
Fundado o Sindicato dos Professores do Ensino Superior Nesta data, 6 de setembro de 2008, na sede da CUT-Nacional, em São Paulo, foi fundado o Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Federal (Universidades Federais), com representação de 22 Estados e 595 votos favoráveis. Houve 4 votos contrários. fonte: www.proifes.org.br
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